Novo laboratório em Oeiras quer aproximar ciência e alimentação funcional

A marca portuguesa Bettery inaugurou, no dia 6 de maio, um novo laboratório de investigação no campus da Fábrica da Pólvora de Barcarena, numa parceria com a Atlântica – Instituto Universitário, que pretende aproximar ciência, academia e indústria alimentar no desenvolvimento de soluções de nutrição funcional de base vegetal com validação científica.
Mariana Moniz
Mariana Moniz Jornalista
10 mai. 2026, 08:00

O mercado da alimentação funcional continua a crescer, mas a validação científica nem sempre acompanha o ritmo das tendências. É precisamente nesse espaço entre inovação, desempenho e investigação que surge o Bettery LifeLab, o novo centro de investigação e desenvolvimento da marca portuguesa Bettery, inaugurado a 6 de maio no campus da Fábrica da Pólvora de Barcarena, e agora integrado na Atlântica – Instituto Universitário.

Mais do que um espaço de desenvolvimento de produtos, o laboratório pretende funcionar como uma plataforma de investigação aplicada à nutrição funcional de base vegetal, cruzando áreas como fisiologia, metabolismo, bioquímica e desempenho humano. O objetivo passa por aproximar investigação académica, indústria e aplicação prática, numa altura em que o setor plant-based continua em expansão e procura afirmar-se para além da lógica de tendência.

“O Bettery LifeLab nasce para estruturar uma abordagem onde conseguimos testar, medir e compreender melhor o impacto da nutrição no desempenho humano”, explica o fundador da marca, Alexandre Pitta de Abreu, em entrevista ao Conta Lá. Segundo o responsável, existe hoje uma grande oferta de soluções alimentares, mas nem sempre acompanhada “do mesmo nível de rigor na validação”.

A aposta da empresa passa precisamente por responder a essa lacuna. “O objetivo é trazer mais ciência, mais medição e mais transparência à forma como a nutrição é desenvolvida e aplicada”, afirma. O laboratório permitirá testar formulações, medir impacto e validar soluções através de dados concretos, numa abordagem que a marca considera ainda pouco comum neste mercado.

Uma ponte entre investigação, indústria e ensino

A integração do laboratório na Atlântica reforça a ligação entre investigação académica e aplicação prática, permitindo o envolvimento de estudantes, docentes e investigadores em projetos multidisciplinares ligados à saúde e à nutrição.

“Muda sobretudo o nível de profundidade e rigor com que conseguimos trabalhar”, afirma Alexandre Pitta de Abreu. “A proximidade à academia permite-nos desenvolver projetos com maior rigor científico, envolver investigadores e estudantes e estruturar melhor os processos de validação.”

O espaço inclui laboratórios dedicados à fisiologia, bioquímica e composição corporal, com equipamentos normalmente associados a centros de investigação internacionais e contextos de alta performance. A parceria permite ainda aos alunos contacto direto com metodologias avançadas de avaliação física, metabolismo, análises clínicas e controlo de qualidade alimentar.

Segundo o fundador da Bettery, a ligação à academia não serve apenas para produzir conhecimento, mas para garantir utilidade prática. “Esta colaboração permite-nos acelerar a produção de conhecimento, garantindo ao mesmo tempo que esse conhecimento tem aplicação real”, defende.

Da tendência ao desempenho diário

Nos últimos anos, o mercado de alimentos plant-based tem vindo a ganhar espaço junto de consumidores que procuram soluções mais equilibradas e adaptadas ao quotidiano. Ainda assim, Alexandre Pitta de Abreu acredita que o setor enfrenta um desafio importante: distinguir inovação real de marketing.

“Para nós, inovação sem validação não é suficiente”, afirma. “O objetivo é sair da perceção e trabalhar com dados reais sempre que possível.”

A Bettery está atualmente a desenvolver soluções como barras proteicas, proteína vegetal e outros formatos adaptados ao consumo diário, com foco na energia, recuperação e estabilidade ao longo do dia. Mais do que produtos isolados, a empresa diz procurar responder a momentos concretos da rotina das pessoas.

“Aquilo que ingerimos influencia níveis de energia, capacidade de concentração, recuperação e até a forma como lidamos com situações de maior exigência”, explica o fundador. “Uma nutrição adequada permite maior estabilidade ao longo do dia, e isso traduz-se em melhor rendimento global.”

Apesar do crescimento do setor, a marca defende que o seu posicionamento difere de outras abordagens ao plant-based. “Não seguimos a tendência plant-based, construímos tudo a partir dela”, afirma Alexandre Pitta de Abreu, defendendo que a Bettery nasceu já com essa lógica de base e não como extensão de produtos de origem animal.

No fundo, a ambição do projeto passa por aproximar aquilo que acontece nos laboratórios daquilo que chega, todos os dias, à rotina das pessoas.