Universidade de Aveiro desenvolve técnica de combate a rotulagens fraudulentas da amêijoa-japonesa
É uma técnica desenvolvida no seio da Universidade de Aveiro e permite apurar rotulagens fraudulentas de amêijoa-japonesa. A solução passa por uma análise da composição química das conchas da amêijoa-japonesa que permite identificar a sua origem geográfica e, com isso, combater a fraude e a pesca ilegal de centenas de toneladas todos os anos.
A equipa de investigadores está já a estudar uma forma que permita “a transferência desta solução para uma grande empresa nacional do retalho alimentar, que pretende confirmar de forma rápida e precisa que a amêijoa-japonesa que comercializa não foi capturada ilegalmente no Estuário do Tejo", de acordo com um comunicado da Universidade.
"Em paralelo, decorrem colaborações com autoridades nacionais e internacionais, incluindo a Europol, para desenvolver soluções de combate à pesca ilegal, não declarada e não regulamentada e a outras práticas fraudulentas que ameaçam a saúde pública e os ecossistemas marinhos”, lê-se na mesma nota.
O comunicado refere que “só no dia de Natal de 2025, as autoridades nacionais apreenderam quase cinco toneladas de amêijoa-japonesa viva em vários pontos do território nacional destinadas ao consumo humano". "Esta amêijoa é capturada ao longo de todo o ano de forma ilegal na ria de Aveiro, no Estuário do Sado e, sobretudo, no Estuário do Tejo, onde apresenta níveis elevados de metais, estando a sua comercialização viva interdita.”
Estes metais estão tão presentes e a sua “contaminação é tão elevada e persistente que fica ‘impressa’ nas conchas destas amêijoas quando crescem nestes locais, funcionando como códigos de barras naturais”.
No mesmo artigo, é ainda acrescentado que “estes códigos naturais não podem ser falsificados e que a equipa da UA está já a validar, em articulação com as autoridades nacionais, soluções portáteis de despistagem em tempo real de amêijoas-japonesas vivas capturadas no Estuário do Tejo para que possam ser retiradas do mercado e assim salvaguardar a saúde pública, incluindo de consumidores estrangeiros, dado que parte deste produto é exportado para outros países europeus”.