Troço da Linha do Douro entre Régua e Pocinho deverá reabrir na segunda-feira

A circulação ferroviária deverá ser retomada após a suspensão provocada pelo mau tempo, segundo indicações do Governo ao município de Vila Nova de Foz Côa. O autarca de Vila Nova de Foz Côa diz ter indicações do Governo para retomar a circulação ferroviária no troço suspenso.
Agência Lusa
Agência Lusa
06 mar. 2026, 20:22

O presidente da Câmara de Vila Nova de Foz disse esta sexta-feira ter indicações do Governo de que o troço da Linha do Douro entre a Régua e o Pocinho abrirá à circulação ferroviária na segunda-feira.

“O município de Vila Nova Foz Côa informa que após várias diligências junto do Gabinete do Ministro das Infraestruturas e Habitação [Miguel Pinto Luz], tem conhecimento de que o troço da Linha do Douro entre Régua e Pocinho será reaberto na próxima segunda-feira,” avançou Pedro Duarte, numa nota enviada à agência Lusa

Segundo o autarca social-democrata do distrito da Guarda, o município de Vila Nova de Foz Côa congratula-se com a reposição de um serviço que é fundamental para toda a região do ponto de vista turístico, económico e de coesão territorial.

A circulação ferroviária no troço entre a Régua e o Pocinho encontra-se temporariamente suspensa.

Em 23 de fevereiro, na sequência do mau tempo que assolou Portugal continental, a IP referiu que este encerramento foi adotado por prudência face às características específicas das encostas ao longo do traçado da ferrovia.

Também esta sexta-feira, o presidente da Câmara de Torre de Moncorvo considerou que a circulação ferroviária naquele troço é uma questão estrutural.

Em comunicado enviado à agência Lusa, José Meneses afirma que a suspensão da circulação ferroviária na Linha do Douro, entre a Régua (Vila Real) e o Pocinho (Guarda), “é hoje um símbolo claro de um problema estrutural do país: a persistência de um Portugal a duas velocidades”.

“De um lado, o país das grandes autoestradas, das decisões rápidas e da proximidade aos centros de poder. Do outro, o interior, onde as obras se arrastam, as respostas tardam e as populações são frequentemente chamadas a esperar”, critica o autarca do distrito de Bragança.

José Meneses salientou que “quando esta ligação é interrompida, o impacto sente-se imediatamente no território, nomeadamente nos restaurantes, que nesta altura do ano contam com um aumento significativo de visitantes, nos taxistas e operadores de transporte local, que asseguram a ligação entre estações, aldeias e pontos turísticos e nos agentes turísticos, guias e empresas de animação, que organizam programas para visitantes nacionais e estrangeiros”.

Para o autarca social-democrata, o que está a acontecer no Douro Superior “não é apenas uma questão de transportes, é uma questão de coesão territorial, de justiça económica e de respeito por um território que tem contribuído decisivamente para a projeção internacional de Portugal”.

A passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que fizeram também várias centenas de feridos, desalojados e deslocados. Mais de metade das mortes foram registadas em trabalhos de recuperação.

Os temporais, que atingiram o território continental durante cerca de três semanas, provocaram a destruição total ou parcial de milhares de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias, com prejuízos de milhares de milhões de euros.