Miradouro em cascata perigosa no Gerês está quase pronto e deverá receber visitas a tempo do verão

A Câmara de Terras de Bouro constrói miradouro e gradeamento para reduzir acidentes na cascata de Fecha de Barjas. Em onze anos, aquele ponto foi palco de diversos acidentes, mais de uma dezena fatais. Projeto avançou mesmo após contestação ambiental.
Redação
Redação
12 abr. 2026, 08:00

As obras na cascata de Fecha de Barjas, ou cascata de Tahiti como também é conhecida, deverão ficar concluídas antes do verão. A Câmara de Terras de Bouro está a construir um miradouro e um novo gradeamento, que vai condicionar o acesso à zona onde os acidentes eram mais frequentes.

A obra está praticamente pronta, como divulgou o presidente da Câmara, Manuel Tibo. O autarca adiantou que falta apenas instalar as estruturas metálicas do miradouro e do gradeamento. O objetivo é permitir que os visitantes apreciem a paisagem com segurança e reduzir os acidentes, que aconteciam em média uma vez por ano.

Nos últimos anos, aquela cascata foi palco de vários acidentes, alguns deles fatais. Num espaço de 11 anos, morreram 13 pessoas naquele ponto.

O projeto, que representa um investimento de 250 mil euros, inclui ainda percursos pedonais, uma zona de estacionamento e espaço para veículos de emergência. Também haverá regras para os banhos na cascata, com áreas seguras delimitadas e acesso condicionado aos poços mais perigosos.

Foto: Cascata de Tahiti atrai milhares de pessoas, todos os verões 

 

Projeto envolto de polémica

Mas os planos para aquele local que agora ganham margem de conclusão são marcados por polémicas. Algumas entidades e até habitantes da região consideram que as estruturas de ferro e as intervenções humanas não se enquadram na paisagem natural do Parque Nacional da Peneda-Gerês.

Depois de conhecidas as imagens 3D do projeto, a associação ambientalista FAPAS contestou a intervenção por modificar negativamente a paisagem protegida. A entidade adjetivou mesmo o plano como "uma espécie de circo, transformando um troço de paisagem natural, das mais valiosas do Parque Nacional da Peneda-Gerês, num cenário completamente artificial e urbano".

“Segundo as montagens 3D divulgadas pela CMTB, o que pretendem fazer é transformar um troço de paisagem natural, das mais valiosas do PNPG, num cenário completamente artificial e com características urbanas. Ou seja, destruir este pedaço do PNPG, na continuação do que já foi feito noutros locais do parque”, acusou a associação ambientalista, à data do arranque da obra, em 2024.

Além disto, sublinharam que o perigo associado às cascatas do Tahiti é igualmente identificado em outros pontos do parque do Gerês, acrescentando que  “com medidas mais simples e baratas do que as anunciadas, o problema resolvia-se".

A autarquia, por sua vez, garantiu que o projeto ia avançar uma vez que todas as entidades respetivas estavam de "mãos dadas" quanto ao plano e arranque da empreitada.