"A pedra continua a marcar a identidade" de Vila Pouca de Aguiar que tem granito por toda a Europa

A identidade local de Vila Pouca de Aguiar continua profundamente ligada à pedra, visível no património e na história do concelho. O setor do granito, cujas exportações representam milhões de euros, chega a vários pontos da Europa.
João Nogueira
João Nogueira Jornalista
21 abr. 2026, 12:32

Há territórios que se explicam pelos seus elementos. Em Vila Pouca de Aguiar, desde a pedra à floresta, o ecossistema construiu a identidade local e contam a história para quem visita o local.

A emissão especial do Conta Lá, em viagem pela Estrada Nacional 2, parou esta terça-feira no concelho e, no primeiro painel do programa, ouviu três vozes locais que traçam um retrato direto de um território feito de recursos naturais, mas também de adaptação constante, nomeadamente pelos incêndios.

É a pedra que marca a força económica daquela região. Mauro Gonçalves, presidente da Associação de Industriais do Granito, diz mesmo que o concelho é o "maior exportador de granito de Portugal”. Todos os anos, cerca de 50 milhões de euros saem do país, com destino sobretudo ao norte da Europa, referiu o dirigente da associação, que dá conta que o produto está em muitas estruturas e edificados, que muitos nem imaginam. “Desde o Parlamento Europeu, o metro de Paris, estádio na Noruega. Há granito nosso em toda a Europa, mesmo que as pessoas não se apercebam”.

Aquele setor emprega mais de mil pessoas no distrito de Vila Real e está longe da imagem tradicional a que era associado há várias décadas. “Hoje uma pedreira pode ser controlada à distância, até com drones”, explicou. Ainda assim, essa evolução traz novos desafios: “Daqui a uns anos, podem ser precisas duas ou três pessoas onde hoje estão nove”.

Se a pedra constrói o presente, também define o passado. O historiador Luís Teixeira lembra que é este material que marca o património e a identidade do concelho. A antiga estação ferroviária de Pedras Salgadas, inaugurada em 1907 e hoje transformada em posto de turismo, é um desses símbolos. “A pedra foi o elemento que mais marcou Vila Pouca de Aguiar”, sublinhou.

"Há a ideia de que conseguimos controlar o fogo, mas não é assim"

Já na floresta, o desafio é outro e um pouco mais urgente. Duarte Marques, da associação Aguiar Floresta, defende uma mudança de mentalidade em relação aos incêndios. “Há a ideia de que conseguimos controlar o fogo, mas não é assim. O fogo faz parte da natureza, tem é de ser gerido”.

Num concelho que já foi duramente atingido pelas chamas, o trabalho passa agora pela recuperação e prevenção. “Não podemos olhar para a floresta só no verão. Tem de ser uma preocupação o ano inteiro”, alertou.