Afogamentos em Portugal atingem máximo histórico no primeiro trimestre
Entre janeiro e março deste ano, morreram 36 pessoas por afogamento em Portugal, o pior primeiro trimestre desde que o Observatório do Afogamento começou a registar estes dados, em 2017.
O balanço foi divulgado pela Federação Portuguesa de Nadadores Salvadores (FEPONS), que alerta para uma tendência de crescimento das mortes em meio aquático. Em comparação com o mesmo período de 2025, registou-se um aumento de 28,6%.
Mas os dados mais recentes mostram que o problema está longe de abrandar. Até 31 de maio, já foram contabilizadas 57 mortes por afogamento em Portugal, um valor praticamente igual ao registado em 2024 no mesmo período, o pior ano até então desde o início da série histórica.
A maioria das vítimas eram homens, representando quase sete em cada dez casos. Os rios continuam a ser o cenário mais frequente destas tragédias, concentrando quase metade das ocorrências registadas nos primeiros três meses do ano. O mar surge em segundo lugar.
Um dos aspetos que mais preocupa a FEPONS é o facto de todas as mortes registadas no primeiro trimestre terem ocorrido em locais sem assistência a banhistas. O relatório destaca ainda várias situações relacionadas com veículos arrastados ou imobilizados em estradas inundadas e cursos de água.
Perante estes números, a federação defende que o afogamento deve ser encarado como uma questão de segurança pública e pede uma resposta nacional mais robusta.
Entre as medidas propostas estão o reforço da educação para a segurança aquática nas escolas, mais atenção aos riscos em rios e barragens, a revisão da legislação relativa à assistência a banhistas e a criação de condições para atrair mais nadadores-salvadores.
Apesar das campanhas de sensibilização e dos alertas que se repetem todos os anos, Portugal continua sem conseguir reduzir de forma consistente o número de mortes por afogamento. E com a época balnear a aproximar-se do período mais intenso, os especialistas deixam o aviso: a prevenção continua a ser a melhor forma de salvar vidas.