Afogamentos em Portugal atingem máximo histórico no primeiro trimestre

Portugal registou o pior primeiro trimestre de sempre em mortes por afogamento desde que há registos. Até ao final de maio, morreram 57 pessoas em meio aquático, um número que mantém os especialistas em alerta.
Redação
Redação
16 jun. 2026, 09:32

Entre janeiro e março deste ano, morreram 36 pessoas por afogamento em Portugal, o pior primeiro trimestre desde que o Observatório do Afogamento começou a registar estes dados, em 2017.

O balanço foi divulgado pela Federação Portuguesa de Nadadores Salvadores (FEPONS), que alerta para uma tendência de crescimento das mortes em meio aquático. Em comparação com o mesmo período de 2025, registou-se um aumento de 28,6%.

Mas os dados mais recentes mostram que o problema está longe de abrandar. Até 31 de maio, já foram contabilizadas 57 mortes por afogamento em Portugal, um valor praticamente igual ao registado em 2024 no mesmo período, o pior ano até então desde o início da série histórica.

A maioria das vítimas eram homens, representando quase sete em cada dez casos. Os rios continuam a ser o cenário mais frequente destas tragédias, concentrando quase metade das ocorrências registadas nos primeiros três meses do ano. O mar surge em segundo lugar.

Um dos aspetos que mais preocupa a FEPONS é o facto de todas as mortes registadas no primeiro trimestre terem ocorrido em locais sem assistência a banhistas. O relatório destaca ainda várias situações relacionadas com veículos arrastados ou imobilizados em estradas inundadas e cursos de água.

Perante estes números, a federação defende que o afogamento deve ser encarado como uma questão de segurança pública e pede uma resposta nacional mais robusta.

Entre as medidas propostas estão o reforço da educação para a segurança aquática nas escolas, mais atenção aos riscos em rios e barragens, a revisão da legislação relativa à assistência a banhistas e a criação de condições para atrair mais nadadores-salvadores.

Apesar das campanhas de sensibilização e dos alertas que se repetem todos os anos, Portugal continua sem conseguir reduzir de forma consistente o número de mortes por afogamento. E com a época balnear a aproximar-se do período mais intenso, os especialistas deixam o aviso: a prevenção continua a ser a melhor forma de salvar vidas.