Alentejo contraria tendência nacional com mais casas licenciadas e concluídas no arranque de 2026
O Alentejo contrariou a tendência nacional no arranque de 2026 ao registar um aumento tanto no número de fogos licenciados como no de habitações concluídas, numa altura em que vários indicadores da construção e do licenciamento apresentaram quebras no conjunto do país.
Os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE) mostram que, entre janeiro e março, foram licenciados 210 fogos para habitação familiar em construções novas na região, mais 19 do que no mesmo período de 2025, quando tinham sido registados 191 fogos. Em sentido inverso ao observado a nível nacional, o Alentejo registou assim um crescimento de 8,5% no licenciamento habitacional.
No conjunto do país, o panorama foi distinto. O número de edifícios licenciados diminuiu 10,4% face ao primeiro trimestre de 2025, enquanto os fogos licenciados registaram uma quebra de 1,6%, refletindo uma desaceleração da atividade em várias regiões.
Mais casas concluídas e prontas a entrar no mercado
A evolução positiva não se ficou pelo licenciamento. O número de habitações concluídas no Alentejo aumentou 20,8% no primeiro trimestre do ano, passando de 159 fogos concluídos nos primeiros três meses de 2025 para 192 no mesmo período de 2026.
O aumento simultâneo do licenciamento e da conclusão de habitações é particularmente relevante porque permite avaliar não apenas a intenção de construir, mas também a capacidade efetiva de colocar novas casas no mercado.
Num contexto em que a falta de oferta habitacional continua a ser apontada como um dos fatores que pressionam os preços da habitação em Portugal, os dados sugerem uma maior dinâmica do setor residencial na região alentejana, tanto ao nível dos novos projetos aprovados como das obras efetivamente terminadas.
Setor continua a mostrar sinais de crescimento
Os números surgem numa altura em que a construção continua a apresentar sinais positivos em termos económicos. Segundo a Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas, o investimento em construção aumentou 2,6% no primeiro trimestre de 2026, superando o ritmo de crescimento da economia portuguesa no mesmo período.
Apesar disso, a nível nacional persistem sinais de desaceleração em vários indicadores do setor. Além da redução do número de edifícios licenciados, verificou-se também uma diminuição da área total aprovada para construção, tanto em edifícios habitacionais como não habitacionais.
É neste contexto que os resultados do Alentejo assumem maior relevância, demonstrando uma evolução positiva numa fase em que o setor continua a enfrentar desafios relacionados com os custos de construção, a escassez de mão de obra e a necessidade de aumentar a oferta de habitação.
Num cenário de desaceleração da atividade construtiva em várias regiões do país, os números do primeiro trimestre colocam o Alentejo entre as regiões que iniciaram 2026 com maior dinamismo no setor habitacional.