APA aproveitou obra de dique no Mondego para intervir no canal de rega
Em declarações hoje à comunicação social, José Pimenta Machado esclareceu que a intervenção em curso no Canal Condutor Geral (conhecido por canal de rega) da margem direita do rio Mondego, passa por diversas obras de manutenção e reforço da segurança daquela infraestrutura - fundamental para a campanha agrícola e para o fornecimento de água às celuloses e outras empresas - só possíveis de realizar com o canal em seco.
Aquando do colapso da margem (dique) direita do leito central do Mondego, junto à ponte dos Casais (Coimbra) e autoestrada 1 (A1), nas cheias de fevereiro, o canal de rega adjacente também colapsou, interrompendo o fornecimento de água, tendo a APA anunciado, na terça-feira, a conclusão das obras naquele local, antes do prazo estipulado de 01 de maio.
As restantes intervenções de manutenção e reabilitação do canal para jusante – limpeza, reparação de fissuras e de rombos e reforço de segurança, a cargo de três empresas de construção civil - estão a decorrer num troço com cerca de 13 quilómetros (km) até à zona de Formoselha (Montemor-o-Velho).
Para montante, entre a A1 e o açude-ponte de Coimbra, numa extensão de cerca de 4 km, o canal de rega já está abastecido e em funcionamento, fornecendo os blocos de rega agrícola dos campos do Bolão e de São Martinho, o que ainda não sucede para jusante.
“Para fazer a conservação, manutenção e reabilitação do canal é importante ele não ter água, estar a seco. Aproveitámos esta oportunidade, para além do que era o nosso compromisso com o dique, para fazer essa intervenção, que é muito importante para os agricultores, até porque o canal tem muitas perdas de água. Fizemos aqui um grande esforço de investimento [que não divulgou] como nunca fizemos e estamos a muito poucos dias de concluir essas obras”, vincou o presidente da APA.
Questionado sobre o horizonte temporal dos trabalhos, admitiu que a reabilitação do canal de rega estará concluída no troço até Montemor-o-Velho, “no máximo” até 15 de maio.
Na conversa com a Lusa, Pimenta Machado reiterou que o compromisso assumido pela APA, perante a ministra do Ambiente, era o de reabilitar o dique colapsado da margem direita e o canal de rega adjacente na zona dos Casais “até ao dia 01 de maio e está feito, antes do prazo”.
“Está concluído antes do tempo, o que não é normal neste país. Não falhámos em terminar a obra antes de 01 de maio, que foi o dia que indicámos, era prioritária”, assinalou o presidente da APA.
Pimenta Machado frisou ainda que, comparando com a cheia de dezembro de 2019, em que o dique do Mondego também colapsou, dessa vez mais a jusante, “esta [de 2026] foi a vez em que tivemos menos tempo para o reparar”.
Para além da conclusão da reconstrução do dique, no troço até ao açude-ponte, a montante, foram também efetuados alguns trabalhos de reparação, nomeadamente uma pequena rutura existente junto à mata do Choupal e outra intervenção que permite que a associação de regantes deixe de precisar de bombear água para os terrenos agrícolas – maioritariamente de hortofrutícolas – do Bolão e de São Martinho, sublinhou.