Artistas locais e imigrantes criam pontes entre "culturas e identidades" em Viseu
Uma ponte que liga culturas e identidades. É desta forma que o diretor artístico, Romulus Neagu, descreve a primeira edição da Bienal “What’s Beyond That Border?”, que durante dez dias junta artistas naturais de Viseu e emigrantes no concelho e que se prolonga até domingo.
Partindo da premissa “O que está além da fronteira?”, a comunidade foi desafiada a refletir sobre o mundo contemporâneo e migrações, através de exposições, conferências, oficinas e espetáculos.“A arte não tem fronteiras. As pessoas sabem que há possibilidade de diálogo através da arte”, salienta, ao Conta Lá, Romulus Neagu, bailarino e coreógrafo que há 27 anos chegou da Roménia a Viseu. Nos dois últimos dias do evento, as atenções estão centradas na Escadaria São Teotónio, no centro da cidade, para onde, durante sábado e domingo, estão programados vários espetáculos ao longo do dia.
Uma instalação flutuante, dirigida pela ilustradora viseense Carla Pinto, e feita em colaboração com um grupo de mulheres imigrantes, vai estar patente e procura cartografar os seus caminhos, percursos, memórias, as transformações, os sonhos e as geografias que habitaram. Também é possível ver o resultado da escultura, com materiais reciclados, de um cordeiro feita na sequência de uma residência artística entre João Dias e um grupo de cidadãos chineses.
Sábado, às 18:30, há uma oficina de novas danças tradicionais com os Tatakum, em que se vão “desconstruir as danças tradicionais portuguesas e criar novas formas, através das misturas”, antecipa o diretor artístico da bienal. Basta aparecer para participar e, às 20:00, é apresentado o baile comunitário daí resultante.
No domingo, entre outras atividades de dança, música e teatro, às 20:00 os alunos do Conservatório Regional de Música Azeredo Perdigão atuam com os artistas Sinho, DJ-Ganso e MC Ghoya para mostrarem o que foi feito numa residência artística que “mistura música clássica com sonoridades mais urbanas”, realça, ao Conta Lá, Romulus Neagu. A intenção é o espetáculo Arte Sem Fronteiras ser uma celebração final da bienal dedicada ao diálogo entre culturas e linguagens artísticas.
Estimular a inclusão
Ao longo de dez dias a programação inclui 20 atividades e a participação de 50 artistas, profissionais e amadores, com enfoque no envolvimento da comunidade imigrante e na mostra da sua diversidade e possibilidade de cruzar culturas.
A Bienal “What’s Beyond That Border?” pretende desafiar a comunidade a refletir sobre o mundo contemporâneo e as suas fronteiras, através de performances e espetáculos, intervenções em espaço público, residências e laboratórios e conferências.
“Queremos construir pontes, formas de aproximação, de conhecer o outro e a nós próprios, criar espaços de comunicação, de encontro, não criando ‘statements’ fáceis em relação a qualquer temática e desenvolver o pensamento crítico, pensar onde estamos enquanto sociedade”, frisa, ao Conta Lá, o diretor artístico, que considera importante a comunidade falar sobre as novas realidades.
Além das reflexões e parcerias locais, Romulus Neagu sublinha que a cidade também está a beneficiar culturalmente desta oferta de várias expressões artísticas. Embora o evento tenha passado por vários locais, está centrado na ideia de ocupar a via pública e “facilitar esse encontro, ir ao encontro das pessoas, em zonas abertas à circulação, no meio da cidade” de Viseu.
Questionado sobre uma segunda edição, o diretor artístico da bienal realça que “há um caminho a fazer” e se estão “a descobrir novas formas de estar na comunidade e de descobrir a cidade”, além de destacar a necessidade de estimular a inclusão e a construção de comunidades mais participativas.
Romulus Neagu menciona ainda a intenção de chegar também às escolas, onde há várias turmas multiculturais, e informa que foram envolvidos nas atividades 1600 alunos. A bienal é dinamizada no âmbito do CLDS 5G Viseu Plural, promovido pela Câmara de Viseu e coordenado pelas Obras Sociais de Viseu.