Casa do Douro não recebeu verbas do Estado depois da transformação em associação pública

Celeste Marques, presidente do conselho de viticultores da Casa do Douro denunciou a falta de verbas associadas à transformação desta em associação pública. Na emissão especial ‘Correr Portugal’ dedicada à 19.ª Meia Maratona do Douro Vinhateiro, no Peso da Régua, discutiu-se também a importância do evento na valorização desta que é a Região Demarcada mais antiga do mundo.
Hugo Santos Gonçalves
Hugo Santos Gonçalves Jornalista
23 mai. 2026, 17:41

Na emissão especial ‘Correr Portugal’ dedicada à 19.ª Meia Maratona do Douro Vinhateiro, no Peso da Régua, discutiu-se a importância do evento na valorização desta que é a Região Demarcada mais antiga do mundo.

No último painel do dia, discutiu-se ainda o setor vitivinícola, motor da região, e a crise que este atravessa, com José Manuel Gonçalves, presidente da Câmara do Peso da Régua, e de Celeste Marques, presidente do conselho de viticultores da Casa do Douro.

A Casa do Douro, na transição para associação pública de inscrição obrigatória, ainda não recebeu verba alguma, revelou Celeste Marques, que falou sobre o impasse do governo central nesta questão. "Nunca deixámos de trabalhar, mas, todo o trabalho está a ser feito às custas dos conselheiros" e "nem sequer conseguimos passar uma fatura com o número de contribuinte", o que é muito limitativo.

Os participantes neste painel falaram ainda da importância da corrida para os durienses. "Esta corrida é muito mais do que a competição desportiva, é uma festa da família duriense", afirma José Manuel Gonçalves. "A beleza desta paisagem é feita com muito custo e é, desde criança, que se transmite o orgulho de ser duriense", aponta Celeste Marques.

A jornalista Estela Machado moderou também um painel sobre a coesão territorial com a participação de Francisco Lopes, presidente do município de Lamego, e Márcio Morais, presidente da Câmara de Armamar, concelhos que também são atravessados por esta corrida, tal como a Régua.

O autarca de Lamego afirmou que “o desenvolvimento de um território só se faz com a cooperação dos municípios”, nomeadamente nesta região que pretende ser muito qualificada a nível turístico.

Para o presidente da câmara de Armamar, a economia local fica a ganhar com este tipo de eventos, que têm “um impacto significativo” para os concelhos. Márcio Morais revelou ainda que, em Armamar, “há uma grande taxa de ocupação das unidades hoteleiras especificamente para os participantes” desta Meia Maratona do Douro Vinhateiro.

Estima-se que o impacto económico desta corrida na região seja de cerca de 8 milhões de euros.

Em entrevista, Fernando Seara, diretor do Museu do Douro, destaca a importância da instituição se juntar a evento como este, sendo parceiro desde a primeira edição. “Há muita gente a visitar o Museu do Douro, que eventualmente não seriam clientes de museus”, afirma. O também arquiteto revela ainda que, no ano passado, a instituição recebeu cerca de 90 mil visitantes, sendo o 15.º ano consecutivo que tem resultados económicos positivos. 

O diretor do Museu do Douro explica também que o objetivo da instituição é que os visitantes sintam vontade em explorar o património da região. “O Museu desperta a curiosidade para as pessoas partirem à descoberta do território” duriense, assinala Fernando Seara.

A Meia Maratona do Douro Vinhateiro oferece um percurso que combina desafio, beleza natural e um ambiente vibrante. A prova atravessa os concelhos de Peso da Régua, Armamar e Lamego. A 19.ª edição do evento conta com mais de 20 mil participantes de 71 nacionalidades.

O Conta Lá transmite a prova, em direto, este domingo a partir das 8h30.