Cerca de 160 camas intermédias já funcionam para aliviar hospitais
O presidente da União das Misericórdias Portuguesas (UMP) afirmou hoje que já estão a funcionar cerca de 160 camas intermédias para aliviar a pressão dos internamentos sociais nos hospitais, esperando alcançar as 400 nos primeiros dias de junho.
O Governo anunciou no início de janeiro a criação de 400 vagas de internamento social em unidades intermédias, contratualizadas com o setor social e solidário, seja com a criação de unidades autónomas, especificamente para casos de internamentos sociais, ou afetando camas já existentes em respostas sociais.
Questionado sobre esta medida na Comissão Parlamentar da Saúde, onde foi ouvido a requerimento do PS sobre “o agravamento dos internamentos sociais”, o presidente da UMP, Manuel Lemos, afirmou que as 400 camas já estão identificadas e que há cerca de 160 a funcionar.
Outras estão em fase de avaliação e implementação, estimando que "nos primeiros dias de junho" estarão criadas as 400 camas”, mas ressalvou que o processo depende da validação e dos procedimentos administrativos do Estado.
Manuel Lemos alertou ainda para a necessidade de rapidez na concretização das respostas, referindo que atrasos podem levar instituições a desistir da disponibilização de vagas.
“Há uma questão que também é psicológica para as próprias misericórdias. É que se não acontecer, as pessoas desistem porque disponibilizaram-se e quem se disponibiliza quer uma resposta imediata, que às vezes (…) demora algum tempo”, comentou.
O responsável apelou ainda a uma resposta nacional ao problema do envelhecimento, sublinhando a necessidade de não deixar os idosos sem resposta.
“É um desígnio nacional, nós não podemos deixar mal os nossos idosos”, afirmou, acrescentando que o problema diz respeito a famílias e à sociedade em geral.
Manuel Lemos afirmou que existe também uma responsabilidade da sociedade no problema do envelhecimento, referindo que as escolhas individuais acabam por ter impacto no sistema.
“Nós vemos muita gente, por motivos todos muito válidos, a comprar um carro, um sofá”, com prestações a pagar ao longo do tempo, enquanto o avô pode estar no hospital, elucidou, alertando que é preciso ter “uma consciência séria” do que este problema representa.
Manuel Lemos apontou ainda o envelhecimento da população como um dos principais fatores de pressão sobre o sistema.
Sobre o aumento dos casos de internamentos sociais para 2.800 em março deste ano, ocupando 14% das camas dos hospitais públicos após alta clínica, o responsável afirmou que muitos são idosos sem retaguarda familiar ou social.
“Tem de haver um trabalho, mas não é automático. Porque uma cama anunciada não é uma cama aberta”, vincou.
Manuel Lemos defendeu ainda que deve existir prioridade para pessoas da área de cada instituição, referindo que essa dimensão deve ser tida em conta na gestão das vagas.
Propôs também a criação de uma rede de saúde mental mais estruturada em Portugal, considerando que essa resposta é necessária no sistema.
Sublinhou que a abertura de novas unidades exige tempo, nomeadamente na contratação e qualificação de profissionais, referindo que não basta anunciar camas para que estas fiquem imediatamente disponíveis.
“Não é só por a União das Misericórdias dizer à senhora ministra que consegue arranjar 400 camas que no dia seguinte há 400 camas”, afirmou, acrescentando que os processos de implementação exigem verificação por parte do Estado.
O responsável referiu que estas respostas devem ter uma lógica diferente das respostas de lar, por se tratarem de camas intermédias.
Acrescentou que a concretização destas soluções no terreno é complexa e que não é possível resolver em poucos meses um problema associado ao envelhecimento da população, que disse ter vindo a agravar-se ao longo das últimas duas décadas.