Cerveira avança com plano para travar planta invasora no rio Minho

A Câmara de Vila Nova de Cerveira vai avançar com um projeto para tentar travar a expansão de uma planta invasora no rio Minho. A Egeria densa tem vindo a crescer no estuário e está a afetar o equilíbrio do ecossistema.
Redação
Redação
18 jun. 2026, 18:08

Há muito que a presença da Egeria densa no estuário do Minho era vista quase sem atenção, mas o crescimento da planta tornou o olhar impossível de ignorar. Em Vila Nova de Cerveira, a observação começa agora a ganhar forma, com a aprovação de um projeto que procura lidar com uma espécie invasora que já se faz sentir para além dos relatórios técnicos.

Introduzida sobretudo através da aquariofilia, a planta acabou por encontrar as condições favoráveis neste meio natural. Instalou-se sem grande alarido, mas, com o tempo, começou a alterar o funcionamento do ecossistema. Em vários pontos, tornou-se um obstáculo para atividades como a pesca e a navegação, criando algumas dificuldades no rio que antes era mais previsível.

Parte do problema está na forma como a planta se desenvolve. A Egeria densa cresce de forma compacta, ocupando grandes extensões de água. Pode formar autênticos blocos de vegetação e, nalguns casos, atingir os 6 metros de “tapetes” flutuantes junto à superfície, onde se acumulam e dificultam a entrada de luz na água. Esse efeito, ainda que pouco visível à primeira vista, acaba por repercutir-se em todo o sistema, afetando outras espécies e alterando equilíbrios.

As consequências vão sendo notadas com maior frequência. Há uma perda progressiva de plantas nativas, mudanças no funcionamento do ecossistema e limitações no uso do espaço fluvial, tanto para trabalho como para lazer. Para quem depende do rio, o impacto já não é abstrato.

É neste cenário que surge a candidatura aprovada no âmbito do Programa Operacional MAR 2030, com financiamento do Fundo Europeu dos Assuntos Marítimos, das Pescas e da Aquicultura. O projeto representa um investimento de 25.717,12 euros, comparticipado em 70% pelo FEAMPA.

O primeiro passo, segundo a autarquia, passa por conhecer melhor a planta. Está prevista a análise da sua composição, numa tentativa de perceber se a biomassa recolhida pode ter algum tipo de aproveitamento. Em simultâneo, será feito um levantamento da sua distribuição no estuário do Minho, informação considerada essencial para perceber a extensão do problema e orientar futuras decisões.

A intervenção não se fica, porém, pelo trabalho técnico. O município quer também envolver a população, através de ações de informação e sensibilização. A ideia é reduzir comportamentos que possam facilitar a propagação da espécie, mesmo sem intenção e reforçar a consciência sobre os riscos associados às plantas invasoras.

Esse cuidado ganha importância quando se olha para a forma como a planta se multiplica. Pequenos fragmentos que se soltam podem ser arrastados pela corrente e dar origem a novas plantas, o que torna o controlo mais difícil e exige um acompanhamento continuado.

A Egeria densa está identificada como espécie invasora em Portugal e integra a lista nacional prevista na legislação. Tem registos em várias regiões, incluindo o Minho, o Douro Litoral, a Beira Litoral e os Açores. Ainda que a sua presença seja mais intensa em alguns pontos, a facilidade de expansão mantém o tema sob vigilância.

Com a aprovação deste projeto, Vila Nova de Cerveira dá um primeiro passo numa resposta que deverá prolongar-se no tempo. O desafio não desaparece de um momento para o outro, mas começa, pelo menos, a ser tratado com maior atenção num território onde os sinais já se acumulam há algum tempo.