Entre o Japão e Moçambique, a arte de Elda Joaquim cria pontes entre culturas e continentes no coração da Covilhã
Sempre com ideias bem assentes e com molde traçado com régua firme. Elda Joaquim criou a Kapulana San há 10 anos. Tudo começou numa aula de costura quando viu um modelo de kimono e decidiu experimentar fazer, tendo o Japão como inspiração.
Nascida em Moçambique, sempre viveu em Lisboa, mas mudou-se para a Covilhã para fugir às rendas elevadas e está desde 2023 no Mercado Municipal. É lá que cria, transforma e dá vida a novas peças. É também ali que expõe as criações e que ao mesmo tempo apresenta o seu trabalho ao público.
Transforma tecido em forma, forma em identidade. Não foi uma decisão repentina, mas sim uma certeza que cresceu com ela.
São tecidos carregados de memória, com padrões vivos, com cores que contam histórias. Mas que vão além do tradicional. É rara a peça que leva menos de seis horas a fazer. Primeiro lava o tecido. Depois engoma. Faz o molde. Corta. Monta a peça. Ajusta e Finaliza.
Quanto aos tecidos, troca com outros designers ou compra ou encomenda de Moçambique. Usa também muitas peças de segunda mão que desmancha e dá-lhes uma nova vida.
Quando o cliente abre o armário e lhe pede para criar e transformar uma peça que tem sentido afetivo e que ao mesmo tempo quer ficar com aquele tecido que se identifica é algo que lhe dá imenso gosto fazer.
Mais do que criar roupa, Elda Joaquim cria pontes: entre continentes, entre culturas, entre o passado eo presente. E, ponto a ponto, vai deixando a sua marca.