Fábrica de IA e novo centro de dados projetam Guimarães como "berço da inovação"
Guimarães quer ir além da narrativa histórica que a consagrou como "Berço da Nação" e afirmar-se, também, como um território marcado pela inovação tecnológica. O município destacou, esta segunda-feira, instrumentos estratégicos para projetar a cidade no mapa internacional, nomeadamente o novo centro de dados, que será instalado em Azurém, num investimento de cinco milhões de euros.
A sessão, no campus da Universidade do Minho, reuniu responsáveis institucionais, investigadores e empresas, num momento que serviu, sobretudo para mostrar o que pode resultar desta aposta e de que forma estas tecnologias já começam a ser usadas por alguns projetos.
O encontro serviu também para apresentar a Fábrica de IA BSC-IA e Supercomputação ao Serviço da Inovação, um projeto que acelera a adoção de inteligência artificial no tecido empresarial, com sede no Centro de Supercomputação de Barcelona (BSC), que reúne ainda a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT).
“A mensagem principal deste dia é clara: Guimarães e a nossa região dispõem hoje de instrumentos decisivos para o seu futuro. A Fábrica de Inteligência Artificial, o Deucalion e o novo centro de dados colocam-nos na linha da frente da inovação tecnológica e criam condições únicas para que as nossas empresas inovem mais depressa, criem mais valor e compitam com sucesso nos mercados internacionais”, afirmou o presidente da Câmara de Guimarães, Ricardo Araújo.
O novo centro de dados vai alojar equipamentos informáticos avançados ao serviço da ciência, tecnologia e inovação, incluindo sistemas da Universidade do Minho, supercomputadores europeus e nacionais, assim como equipamentos de telecomunicações e suporte da RCTS – Rede Ciência, Tecnologia e Sociedade, responsável por interligar instituições de ensino superior e centros de investigação em todo o país.
Ainda assim, o autarca sublinhou que o impacto destas ferramentas dependerá da forma como forem aproveitadas. Na sua perspetiva, o ponto crítico está na ligação entre quem produz o conhecimento e quem o transforma em atividade económica.
“Este é um trabalho que temos vindo a desenvolver em parceria com a Fundação para a Ciência e a Tecnologia e com a Universidade do Minho e que é estratégico para posicionar Guimarães como um centro de inovação internacional”, disse, acrescentando que “o conhecimento produzido na universidade e nos centros de investigação tem de chegar às empresas e traduzir-se em inovação, competitividade e, no fim da linha, significar melhor qualidade de vida para as pessoas”, afirma.
A mesma ideia foi reforçada pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia. O vice-presidente da instituição, João Nuno Ferreira, centrou a sua intervenção na dificuldade, muitas vezes apontada, de passar da investigação para o mercado.
“O grande desafio não é apenas criar conhecimento, mas conseguir transformá-lo em produtos, serviços e novos negócios. É precisamente aí que entra a Fábrica de IA, acelerando o processo de inovação antes da chegada ao mercado e permitindo reduzir o tempo e os custos associados ao desenvolvimento de novas soluções", afirmou.
Para o responsável, estruturas como a Fábrica de IA ajudam a aproximar dois planos que nem sempre se cruzam, a ciência e a inovação. Ao mesmo tempo, destacou o papel que o supercomputador Deucalion pode assumir neste processo, já não apenas como ferramenta de investigação, mas também como recurso ao serviço das empresas.
Durante a sessão foram apresentados exemplos de entidades que já recorrem a estas capacidades, numa programação que incluiu igualmente uma discussão sobre o uso da inteligência artificial e da supercomputação em diferentes áreas.