Hortas urbanas da Lipor envolvem mais de 1700 pessoas e três mil estão em lista de espera
Os oito municípios associados da Lipor têm ativas 61 hortas urbanas, com 1.786 pessoas envolvidas em 15,7 hectares de área de cultivo, incluindo 512 talhões no Porto, e mais de três mil pessoas em lista de espera.
Ao todo, há 2.147 talhões cultivados “em modo de produção alimentar sustentável”, entre hortas em instituições, municipais e espontâneas, segundo os números requisitados pela Lusa quanto ao projeto “Horta à Porta”, que a Lipor, associação intermunicipal que gere os resíduos de oito municípios da Área Metropolitana do Porto (AMP), desenvolve em parceria com as autarquias envolvidas.
O Porto é o mais ativo de entre os municípios, com 14 hortas, 512 talhões e 45.426 metros quadrados, nos quais trabalham 471 hortelãos.
Na Maia, há 12 hortas, 394 talhões e 35.892 metros quadrados, seguindo-se Matosinhos, com 13 hortas, 435 talhões e 22.202 metros quadrados.
O projeto estende-se ainda a Gondomar, com oito hortas e quase 14 mil metros quadrados, Valongo, com quatro hortas que permitem 227 talhões, Póvoa de Varzim (quatro hortas, 211 talhões), Vila do Conde (duas hortas, 81 talhões) e Espinho (três hortas, 43 talhões).
Além das 1.786 pessoas com talhões atribuídos, das quais 471 estão no Porto, 388 em Matosinhos e 334 na Maia, os que mobilizam mais gente, há uma fila de espera com quase o dobro dos participantes atuais, porque "a rotatividade dos hortelãos é baixa, com permanência longa na horta".
“Regista-se, à data, cerca de 3.054 inscritos que aguardam atribuição de um talhão”, nota a Lipor.
Para tentar dar resposta à procura, têm surgido novas hortas lançadas pelos municípios associados e pela própria Lipor, que aponta ainda para “outras opções/modelos de cultivo”, como a Horta Agroflorestal de Crestins, junto às instalações da associação, ou hortas em terraço.
O projeto “Horta à Porta” arrancou julho de 2003 e, menos de um ano depois, via abrir a primeira horta, em Crestins, com 74 talhões, tendo crescido ao longo dos anos face ao “interesse crescente da população”.
O principal objetivo “é o autoconsumo”, com talhões de 25 metros quadrados em média, e sempre que há excedente é normalmente partilhado entre familiares, vizinhos e amigos.
Uma das hortas, na Maia, tem um caráter “mais orientado para a subsistência”, com talhões a rondar os 100 metros quadrados, e aí os produtos podem ser comercializados, numa banca partilhada, e destinada especificamente a estes produtores, no Mercado do Castêlo da Maia.
A Lipor, criada em 1982, é composta pelos municípios do Porto, Maia, Matosinhos, Gondomar, Póvoa de Varzim, Vila do Conde, Espinho e Valongo, abrangendo cerca de 10% da população portuguesa.