Luís Rodrigues tem cerca de sete milhões de abelhas e uma vida ligada à apicultura: "Cresci com elas desde que nasci"

O apicultor de Vila Pouca de Aguiar alerta para o declínio das abelhas, mas acredita que a solução passa por alguma teimosia e "paixão pela atividade".
João Nogueira
João Nogueira Jornalista
21 abr. 2026, 13:09

São sete milhões de abelhas. É este o número de "bichinhos" que o apicultor Luís Rodrigues cuida todos os dias em Vila Pouca de Aguiar, numa vida inteira dedicada à apicultura, que começou praticamente desde que nasceu.

“Sou apicultor desde que nasci, cresci com as abelhas”, contou o apicultor no especial do Conta Lá, que está a percorrer a Estrada Nacional 2. A sério e por conta própria, "já lá vão mais de 40 anos". Pelo meio destas décadas, confessa que já perdeu a conta às vezes que foi picado.

Hoje, gere cerca de 150 colmeias e fazendo as contas, cada uma pode ter até 50 mil abelhas. Ao todo são cerca de sete milhões de abelhas, um número que assume com naturalidade.

Mas nem tudo é doce como o mel que produz. “O decréscimo do número de abelhas é real”, partilhou o apicultor que, ainda assim, insiste que desistir não é opção: “o que podemos fazer é ser teimosos. É preciso haver paixão pela atividade”.

E essa paixão não lhe falta: “A abelha é um bichinho extraordinário. Só quem vive na apicultura é que sabe este mundo. Eu diria que não sei viver sem as abelhas”.

Para Luís, o papel destes insetos vai muito além do mel ou do pólen. “Se as abelhas desaparecerem, a vida desaparece”, alerta, sublinhando a importância da polinização para o equilíbrio dos ecossistemas.

Por isso, critica práticas que considera prejudiciais, como o uso de herbicidas: “Irrita-me ver pessoas a aplicar produtos para matar as abelhas”. Na sua exploração, tenta respeitar ao máximo o ciclo natural: “Só dou alimentação artificial em momentos específicos de SOS, prefiro deixar isso à natureza”.