Mais de 600 mil crianças expostas a seca em Portugal, alerta Unicef

As alterações climáticas continuam a agravar a exposição das crianças a fenómenos extremos, colocando em causa a saúde, a segurança e o desenvolvimento das gerações mais novas. Um novo relatório da Unicef mostra que Portugal não escapa a esta realidade.
Regina Ferreira Nunes
Regina Ferreira Nunes Jornalista
16 jun. 2026, 15:13

São perto de 648 mil as crianças que em Portugal crescem em zonas onde a falta de água já não é uma possibilidade remota, mas um risco com que as famílias se deparam. Os números são da Unicef, no relatório mais recente sobre o impacto das alterações climáticas na infância. Mas a seca é apenas uma parte do problema.

O mesmo estudo mostra que 469 mil crianças estão expostas a temperaturas que sobem cada vez mais e outras 474 mil vivem em sítios onde o fogo é uma ameaça. A poluição do ar, essa, é quase transversal: mais de 1,5 milhões de crianças respiram ar com qualidade abaixo do que seria aceitável. 

O relatório foi divulgado um dia antes do Dia Mundial de Combate à Seca e trouxe uma nota que surpreende. Portugal está entre os países mais pequenos onde o peso dos incêndios, em termos relativos, é considerado “desproporcionalmente elevado”. A Unicef junta o nosso país à Guiné-Conacri, à Serra Leoa e ao Uruguai neste ponto específico.

O retrato global é difícil de contornar. Não existe, em Portugal, nenhuma criança completamente a salvo de algum risco climático. E não se trata, na maioria dos casos, de um único perigo, ou seja, cerca de dois terços das crianças acumulam dois ou mais ao mesmo tempo, o que complica qualquer resposta eficaz.

A distribuição geográfica desses riscos também merece atenção. A maioria das crianças portuguesas vive em zonas onde os níveis de exposição ficam acima da média mundial. Em mais de um quarto dos casos, a situação vai além disso, os valores enquadram-se no que é classificado como extremo, com potencial para consequências mais graves.

Para construir estas conclusões, o estudo cruzou dados ambientais com informação populacional, através de uma base de dados internacional, procurando perceber onde os riscos se concentram e quem é mais vulnerável.