Movimentos cívicos criticam "operação de marketing" da Lightsource BP sobre Projeto Sophia

Vários movimentos cívicos e associações ambientais manifestaram a sua oposição às recentes sessões promovidas pela Lightsource BP nas freguesias abrangidas pelo Projeto Sophia, nos concelhos do Fundão e de Penamacor, considerando que a iniciativa não garantiu um debate público aberto e transparente.
Inês Miguel
Inês Miguel Jornalista
22 jun. 2026, 13:48

Vários movimentos cívicos e associações ambientais manifestaram, em comunicado, a sua oposição às recentes sessões promovidas pela Lightsource BP nas freguesias abrangidas pelo Projeto Sophia, nos concelhos do Fundão e de Penamacor.

Na nota divulgada, os movimentos consideraram que a iniciativa não garantiu um debate público suficientemente aberto e transparente.

Os signatários criticam a "divulgação tardia das sessões, a limitação do número de participantes e a obrigatoriedade de pré-registo, apontando ainda a ausência de tradução para cidadãos estrangeiros residentes na região". Dizem que as sessões não trouxeram respostas concretas sobre os impactos ambientais, sociais e económicos do projeto.

"Tratou-se de uma mera operação de marketing para veicular uma imagem positiva em torno de um projeto inviável, que a própria Comissão de Avaliação classifica como tendo impactos negativos significativos a muito significativos, em alguns casos permanentes e irreversíveis", acrescenta a nota de imprensa. 

As organizações defendem que a iniciativa teve como principal objetivo cumprir exigências regulamentares "sem um verdadeiro empenho do promotor em minimizar impactos" e lamentam que a população continue sem conhecer as alterações previstas ao projeto, nem a forma como serão consideradas as 12.570 participações submetidas durante a consulta pública e o parecer da Comissão de Avaliação.

Os movimentos reiteram a sua oposição ao Projeto Sophia, defendendo que este tipo de infraestruturas energéticas deve ser instalado em áreas já artificializadas e não em zonas rurais ou protegidas.

Apesar de reconhecerem a importância da transição energética, sublinham que esta deve assentar em princípios de sustentabilidade, transparência, justiça territorial e participação efetiva das comunidades locais.

O comunicado refere ainda que a "forte participação cívica observada nos últimos meses revela uma comunidade atenta, informada e determinada a defender o seu património natural, a sua identidade e os seus interesses coletivos e a preservá-lo para as próximas gerações".

O comunicado é subscrito pelo Movimento Cívico Gardunha Sul, Plataforma de Defesa do Tejo Internacional, Quercus – Núcleo de Castelo Branco, PRIP – Prout Research Institute Portugal | Cova da Beira Converge, Cidadãos pela Beira Baixa e Movimento Cívico em Defesa de Pedrógão de São Pedro e Bemposta.