O rio que guarda histórias: Cerveira lança plataforma sobre pescadores do Minho
A história dos pescadores do rio Minho, feita de dias longos na água, de saberes transmitidos de pais para filhos e de uma ligação próxima ao território, vai começar a ser contada de outra forma. Vila Nova de Cerveira prepara-se para lançar uma plataforma digital que vai reunir, pela primeira vez, um conjunto de registos sobre quem viveu, e trabalhou, deste rio ao longo de gerações.
O projeto nasce no âmbito da candidatura “Pescadores do Rio Minho – Memória Coletiva”, aprovada pelo Programa Operacional MAR 2030 e financiada pelo Fundo Europeu dos Assuntos Marítimos, das Pescas e da Aquicultura. Mas, mais do que um enquadramento técnico, o propósito deste projeto visa registar um património que durante muito tempo existiu, sobretudo, na memória de quem o viveu.
Ao longo dos séculos, a atividade piscatória moldou a vida das comunidades ribeirinhas e ajudou a desenhar a identidade do Vale do Minho. É esse legado social, cultural e também económico, que o município quer agora preservar e dar a conhecer. A intenção, segundo a Câmara Municipal de Cerveira, passa por salvaguardar esse património imaterial e aproximá-lo das gerações mais novas, garantindo que não se perde no tempo.
A futura plataforma digital será o centro desse projeto. Ali deverão ficar reunidos registos individuais de pescadores desde o século XIX até à década de 1940, cruzando fotografias, documentação histórica e testemunhos em vídeo ligados à pesca artesanal. Ao disponibilizar este acervo ao público, o município acredita estar a criar uma ferramenta útil não apenas para investigadores, mas também para quem queira compreender melhor a evolução da atividade e o seu impacto no território.
O projeto não fica apenas na componente digital. Está também prevista a edição de uma publicação que funcionará como complemento e aprofundamento desse trabalho de recolha. Para além da identificação dos pescadores, o livro dará particular destaque às diferentes artes de pesca utilizadas ao longo do tempo e às formas de organização social que se foram desenvolvendo em torno da atividade.
Com um investimento global de 57.355,42 euros, financiado em 70% pelo FEAMPA, o projeto insere-se numa estratégia mais ampla de valorização do património local. A autarquia sublinha que se trata de um compromisso continuado com a memória da região e com a necessidade de preservar um legado que considera singular.