Portugal destaca-se na Europa pelos horários antecipados de mobilidade urbana, aponta estudo

Portugal é o país do sul da Europa onde a procura por TVDE atinge o pico mais cedo durante o dia, pelas 16h00, segundo um estudo da Bolt que compara hábitos de mobilidade em 24 países europeus. Espanha regista o pico às 20h00 e França apenas às 23h00.
Agência Lusa
Agência Lusa
07 mai. 2026, 15:36

Portugal é o país do sul da Europa com um dos picos de procura por TVDE mais antecipados do continente, quatro horas antes de Espanha e sete de França, de acordo com um estudo realizado pela Bolt.

No estudo, a que a agência Lusa teve acesso, realizado a propósito do Dia da Europa, que se assinala no sábado, o pico de mobilidade em Portugal do TVDE assinala-se pelas 16h00, enquanto as trotinetes e bicicletas elétricas da Bolt registam o seu máximo duas horas depois às 18h00.

Os dados recolhidos pela plataforma sobre os padrões de mobilidade portugueses revelam uma diversidade visível ao nível da deslocação das pessoas na Península Ibérica, demonstrando que Portugal é um país cujos ritmos de mobilidade “se situam numa das extremidades do espetro europeu, mais antecipados e cujas cidades têm algo concreto a ensinar sobre como o transporte multimodal funciona na prática”.

De acordo com o estudo, o padrão reflete a “vasta abrangência” dos utilizadores que recorrem às plataformas TVDE, como “estudantes universitários e até cidadãos mais seniores”.

“Com horários que terminam tipicamente entre as 17h30 e as 18h00, a procura por TVDE sobe de forma acentuada a meio da tarde e vai diminuindo progressivamente ao longo da noite”, de acordo com a Bolt.

Já o meio-dia representa 34% de todas as viagens, o regresso a casa ao final do dia corresponde a 19%, e a atividade noturna fica nos 19%, um dos valores mais baixos da Europa, apenas comparável à Roménia, refere o estudo.

O estudo demonstra ainda o papel da micromobilidade (trotinetes e bicicletas elétricas), sublinhando que os dois modos servem “dois momentos distintos do mesmo trajeto pendular”.

O TVDE leva as pessoas a casa “quando os escritórios fecham”, enquanto a micromobilidade prolonga a mobilidade no final da tarde “ao cobrir trajetos curtos, recados e deslocações ao início da noite”.

O meio-dia representa 31% das viagens de micromobilidade e o regresso ao fim do dia corresponde a 23% do total.

Se os picos de TVDE variam por largas horas entre diferentes países europeus, a micromobilidade revela um padrão mais consistente, refere o estudo, adiantando que em quase todos os mercados europeus onde a Bolt opera trotinetes e bicicletas elétricas, “o pico de micromobilidade ocorre entre as 16h00 e as 18h00, independentemente da hora a que o TVDE atinge o seu máximo”.

“Esta convergência sugere que a micromobilidade cumpre, em toda a Europa, o mesmo papel: a deslocação de fim de tarde, o trajeto curto, o primeiro e o último quilómetro. Portugal, com o seu pico de TVDE às 16:00 e de micromobilidade às 18h00, ilustra essa complementaridade de forma particularmente clara”, apresenta o estudo.

Para a Bolt, esta complementaridade, onde está também o transporte público, “é um argumento central a favor de um ecossistema de mobilidade aberto e totalmente interligado, que transita sem interrupções entre os diversos modos de transporte”.

"Estes dados lembram-nos que a mobilidade europeia não é uma história, são muitas, que acontecem a horas diferentes, num continente de nações muito diversas. Portugal, com um dos picos mais antecipados do sul da Europa, é uma parte tão importante deste quadro como qualquer mercado. O que estes dados demonstram é que qualquer mudança e evolução estrutural no que toca a políticas europeias de mobilidade tem de partir de dados concretos e não de perceções", disse Mário de Morais, Diretor Geral da Bolt em Portugal.

A análise da Bolt abrangeu 24 mercados europeus e revelou “um padrão claro: não existe uma hora europeia de mobilidade”.

“A Croácia atinge o pico às 14h00, Portugal às 16h00, Espanha às 20h00, França às 23h00, Bélgica e Países Baixos apenas à meia-noite. Uma diferença de dez horas entre os países com o pico mais cedo e os mais tardios, todos membros da União Europeia”.