Portugal prepara-se para receber o maior congresso mundial do azeite

Lisboa recebe no início de julho um congresso internacional dedicado ao setor do azeite. O encontro coloca no centro do debate uma questão cada vez mais presente: o valor do olival para lá da produção de azeite. Sustentabilidade, carbono e economia circular entram na discussão como novas formas de medir o setor.
Redação
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19 jun. 2026, 19:47

Lisboa volta a receber, no arranque de julho, um dos encontros internacionais mais relevantes ligados ao azeite, o Olive Oil World Congress (OOWC), mas este ano o debate desloca-se para uma questão que tem vindo a ganhar cada vez mais preocupação entre o setor: que valor pode, afinal, ter um olival para lá da produção?

Durante muito tempo, a resposta parecia evidente. A lógica produtiva dominava e o rendimento de uma exploração media-se, quase sem exceções, pelo azeite obtido. Esse critério, no entanto, começa a revelar-se insuficiente. A pressão das alterações climáticas e a necessidade de modelos agrícolas mais equilibrados veio expor outra realidade, obrigando a repensar o que está, de facto, em causa.

É precisamente esse o ponto de partida de uma das sessões centrais do congresso, marcado para 2 e 3 de julho, em Lisboa. O encontro reúne participantes de diferentes países e áreas, mas a discussão que aqui se destaca tenta ir além do habitual, colocando o olival numa perspetiva mais vasta, tanto na economia como no território.

A sustentabilidade deixou, entretanto, de ser um tema lateral para passar a estruturar boa parte do debate. No setor olivícola, isso traduz-se numa atenção crescente a dimensões que vão da captura de carbono à biodiversidade, sem esquecer as soluções que procuram reduzir desperdícios e reaproveitar recursos. Ao mesmo tempo, começa a ganhar consistência a ideia de que os sistemas agrícolas prestam serviços que não cabem nas contas tradicionais.

É nesse enquadramento, sob o tema “Bioeconomy and Sustainability of the Olive Oil Sector and the Industry”, que vários especialistas irão cruzar leituras. Juan Antonio Polo, do Conselho Oleícola Internacional, deverá centrar-se nos mercados voluntários de carbono, apontando para a possibilidade de reconhecer financeiramente o contributo ambiental dos olivais, sobretudo na mitigação das alterações climáticas.

Já Karolina Brkić Bubola, do Instituto de Agricultura e Turismo da Croácia, deverá trazer para a discussão a aplicação da economia circular ao setor. O trabalho desenvolvido no âmbito do projeto CIRCOLIVE tem explorado soluções estabelecidas numa gestão mais eficiente dos recursos e no reaproveitamento de subprodutos, com apoio de ferramentas digitais.

A dimensão ecológica surge também com destaque. José Alberto Pereira, do Instituto Politécnico de Bragança, deverá focar-se nos olivais tradicionais enquanto espaços que ajudam a manter o equilíbrio dos ecossistemas, sublinhando o seu papel na conservação da paisagem e na proteção de processos naturais que nem sempre são visíveis, mas que têm impacto real.

Por outro lado, Gonçalo Moreira, da Olivum, deverá olhar para a sustentabilidade como uma questão estratégica. A ideia que tem vindo a consolidar-se é a de que a competitividade do setor passa cada vez mais por integrar preocupações ambientais e sociais, a par das exigências económicas.

A realização do congresso em Lisboa coincide, aliás, com um momento em que Portugal reforça a sua presença no setor, apoiado num percurso marcado pela modernização e pelo investimento.