Preços das casas mais do que duplicaram em 157 municípios

Os dados foram divulgados esta segunda-feira pelo Banco de Portugal, num estudo que analisa o período entre 2017 e 2025.  A maior parte dos municípios onde os preços mais aumentaram situam-se nas regiões da Área Metropolitana do Porto, Grande Lisboa e Península de Setúbal. 
Redação
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15 jun. 2026, 15:20

Em oito anos, o preço mediano de uma casa mais do que duplicou em 157 dos municípios portugueses. A conclusão consta no Boletim Económico de junho, divulgado esta segunda-feira pelo Banco de Portugal, que analisou os dados relativos a 286 municípios.

O estudo analisa o período entre 2017 e 2025 e mostra como nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, na Península de Setúbal e nas franjas urbanas que cresceram à volta dos grandes centros a subida dos preços foi particularmente maior.

Nos concelhos de Sintra, Seixal, Barreiro, Moita e Setúbal, o valor mediano por metro quadrado das casas vendidas subiu mais de 200% no período analisado. Trata-se, na esmagadora maioria dos casos, de municípios que durante décadas serviram de alternativa acessível às capitais distritais vizinhas, mas que foram gradualmente absorvidos pela pressão de uma procura que não encontrou resposta nos centros das cidades. O movimento, como o Banco de Portugal documenta, foi claro: à medida que Lisboa e Porto se tornavam inacessíveis, a procura deslocou-se para "municípios relativamente mais acessíveis" nas duas grandes áreas metropolitanas.

As rendas seguiram uma trajetória semelhante, embora com intensidade mais circunscrita. O valor mediano das rendas por metro quadrado mais do que duplicou em 23 municípios, num universo de 184 com informação disponível, entre 2017 e 2024. Os casos mais expressivos foram os de Grândola, Sines e Moita, todos com variações superiores a 125%. São concelhos com dinâmicas distintas entre si, mas com um denominador comum: a chegada de procura que não existia antes, seja por razões de acessibilidade face às cidades maiores, seja pela pressão do turismo e do interesse de não residentes.

O Algarve, neste enquadramento, surge como uma exceção curiosa. A região, que já partia de rácios preço-renda acima da média nacional, registou valorizações relativamente menores no período em análise. O relatório destaca que isto resulta do facto de os preços na região estarem há muito "influenciados pela procura por não residentes", o que significa que o ponto de partida era já elevado demais para que a aceleração fosse tão pronunciada como noutras regiões.

O estudo revela ainda que o crédito bancário ganhou um novo impulso a partir do início de 2024, que coincidiu com a descida das taxas de juro e com a entrada em vigor do regime de garantia do Estado para jovens.

A análise das expectativas dos consumidores acrescenta uma questão adicional de preocupação. Entre janeiro e março deste ano, os portugueses antecipavam uma subida dos preços de habitação de 7% nos doze meses seguintes, valor que compara com uma expectativa de 3,7% na zona euro. Portugal surge assim não apenas como um mercado com preços mais elevados, mas como um país onde a sensação generalizada é a de que "o momento atual é favorável ao investimento" e à aplicação das poupanças no imobiliário. Essa perceção, por si só, alimenta a procura e contribui para pressionar ainda mais os preços.

O relatório identifica ainda uma clivagem geracional nas expectativas que merece atenção. Os jovens entre os 18 e os 34 anos antecipam uma subida média de 4%, enquanto os consumidores entre os 55 e os 70 anos estimam um crescimento de 6,3%.