Região de Leiria pede novo financiamento para manter programa que protege aldeias dos incêndios
A Região de Leiria quer garantir que o trabalho feito nos últimos anos para proteger aldeias e reduzir o risco de incêndios não fica pelo caminho. Os dez municípios que integram a Comunidade Intermunicipal (CIM) da Região de Leiria estão a pedir ao Governo a criação de uma nova linha de financiamento para assegurar a continuidade dos chamados Condomínios de Aldeia.
O programa, financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), termina a 31 de agosto e, sem novos apoios, os autarcas receiam que muitas das intervenções realizadas deixem de ter manutenção.
Para evitar esse cenário, os municípios defendem a criação de um fundo de pelo menos 25 milhões de euros, gerido através do Fundo Ambiental, que permita financiar ações de manutenção e também apoiar novos projetos. A posição foi também assumida pela Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria, que reúne dez municípios.
A posição é partilhada pelos municípios de Alvaiázere, Ansião, Batalha, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Leiria, Marinha Grande, Pedrógão Grande, Pombal e Porto de Mós, que consideram que a continuidade do programa é fundamental para consolidar os investimentos já realizados e reforçar a proteção das comunidades rurais.
Tal como avançou o Diário de Leiria, o presidente da CIM da Região de Leiria, Jorge Vala, alertou que o programa tem ajudado a tornar o território mais resiliente, mas considera essencial garantir verbas para manter o trabalho já realizado. Caso contrário, avisa, corre-se o risco de perder um projeto que tem contribuído para aumentar a segurança das populações e proteger as aldeias mais expostas ao perigo de incêndio.
Ao longo dos últimos anos, os Condomínios de Aldeia permitiram financiar intervenções como a limpeza de matos, gestão de combustíveis, criação de zonas de proteção junto às povoações, recuperação de terrenos abandonados, remoção de espécies invasoras e promoção de espécies autóctones. O objetivo passa por reduzir a exposição das aldeias ao risco de incêndio e criar territórios mais resilientes e preparados para enfrentar os efeitos dos fogos rurais.
Alguns municípios da região, como Alvaiázere, Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos, registaram uma forte adesão à medida, concentrando mais de uma centena de projetos no seu conjunto.
A reivindicação acontece poucos dias depois de a Região de Leiria ter aprovado o Plano Sub-regional de Ação para a Gestão Integrada de Fogos Rurais e numa altura em que os dez municípios da CIM já suspenderam autorizações para queimas e queimadas até ao final de setembro.
Os autarcas defendem que a manutenção destas intervenções não pode ficar dependente apenas do prazo de execução do PRR. Na posição conjunta assumida pela CIM, alertam que a interrupção do financiamento poderá comprometer o investimento já realizado nos últimos anos.