Restaurante na Amadora dá nova vida a pessoas em situação de sem-abrigo
A associação Crescer vai inaugurar na sexta-feira um novo “É um restaurante”, o primeiro na cidade da Amadora, num projeto na área da restauração que dá formação a pessoas em situações sociais vulneráveis ajudando na sua reintegração.
O novo espaço, no distrito de Lisboa, é o sexto restaurante criado pela associação Crescer que qualifica pessoas em situação de sem-abrigo na área da restauração com o intuito de integrar estas comunidades.
“A maioria de todos nós olha para estas pessoas com grande estigma, [considera] que as pessoas não são capazes de integrar a área profissional, e não conseguimos olhar para as pessoas pelo lado das competências”, disse o diretor da associação, Américo Nave, em declarações à Lusa.
O restaurante instalado no Parque Central da cidade, que pretende ser um espaço de gastronomia contemporânea e de responsabilidade social em simultâneo, tem como parceria o modelo de formação do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) que combina as aprendizagens pessoais com a formação técnica no setor da restauração.
“As pessoas estão seis meses ‘on the job' [aprendem enquanto trabalham no local] nos nossos restaurantes. Durante estes seis meses, são acompanhadas por psicólogos e assistentes sociais, para tentar garantir uma estabilidade a nível habitacional, estabilidade a nível de saúde, a nível de apoios sociais, porque se estas pessoas não tiverem isso garantido têm muita dificuldade também de estar numa situação estável dentro do emprego e dentro da área de trabalho”, explicou o também fundador do projeto.
O “É um restaurante” procura reinventar pratos clássicos com uma ementa diversificada e refeições rápidas, e inclui ainda uma seleção de pizzas em forno de lenha, com o foco num serviço em que as pessoas vão “pela comida e não porque é um projeto social”.
Segundo Nuno Dias, chef responsável pela criação da carta de rotação sazonal, a comida vai ser "honesta e fantástica", inserida num "projeto muito humano" com valores médios dos oito (petiscos) aos 19 euros (pratos principais).
Trouxa de cogumelos com alhos francês e queijo da ilha, corvina e camarão com arroz cremoso de berbigão e coentros e tornedó com gratin de batata e farinheira e molho demi-glace são algumas das opções da ementa do chef.
O restaurante, que tem como financiadores a Câmara Municipal, a Segurança Social, o IEFP e “muitas outras empresas”, como explicou Américo Nave, vai funcionar como um negócio social sustentável que envolve uma equipa técnica e uma rede de parceiros institucionais e privados, promovendo a coesão comunitária e a empregabilidade efetiva.
“O que diferencia [o restaurante] acima de tudo é a integração de pessoas que vêm de uma situação de maior vulnerabilidade. Muitas vezes as pessoas que entram nos nossos restaurantes, se não for comunicado por nós, nem percebem que estão num restaurante onde trabalham pessoas que vêm da situação de vulnerabilidade”, disse.
A iniciativa forma cerca de 100 pessoas por ano, conseguindo empregar aproximadamente 70% dos formandos, e, “mesmo depois de as pessoas já estarem integradas no mercado de trabalho, os técnicos, os assistentes sociais e os psicólogos continuam a acompanhar as pessoas".
A Crescer trabalha com o município da Amadora desde 2021: “A Amadora que é um território que também percebemos que tem muito poucas respostas a nível social, é um território onde há um número significativo de pessoas em situação de vulnerabilidade e onde quisemos criar uma resposta de integração profissional”, afirmou o organizador.
O “É um restaurante” do concelho conta com uma sala para 50 pessoas e com uma esplanada que poderá funcionar com capacidade para mais 60 pessoas.
A abertura ao público está agendada para quarta-feira (15 de abril) e o restaurante vai funcionar de quarta a domingo, das 12:00 às 23:00.