Sardoal, a terra das mil igrejas, quer alavancar o turismo religioso
Sardoal destaca-se na rota da Nacional 2 pela riqueza do património religioso, arquitetónico e cultural. É na Páscoa que a vila vive o expoente máximo da fé, com os tapetes floridos que durante a Semana Santa atraem crentes e curiosos de todo país.
Numa vila jardim, onde o verde predomina, são também as artes e tradições, com as tecedeiras que mantêm viva a arte do linho e o artesanato que se reinventa com matéria prima que a natureza dá, que mantém viva a identidade de um território com apenas 92 km2.
Pequeno em tamanho mas grande em mais-valias, é neste local que encontramos peculiaridades como o único artesão do país que ainda produz malas em folha de flandres ou a marmelada caseira mais antiga de Portugal.
Tudo histórias que o Conta Lá deu a conhecer na emissão especial do Conta Lá pela Estrada Nacional 2, que é de resto o motor que tem colocado Sardoal no mapa.
“O projeto da Estrada Nacional 2 é o projeto de coesão territorial mais importante que tivemos no nosso país nos últimos anos. Uma estrada que cumpre um objetivo de ligar territórios, pessoas, e que se tem revelado um excelente foco de atratividade para o nosso território”, admite o presidente da Câmara Municipal de Sardoal, Pedro Rosa.
O autarca refere ser “inquestionável o aumento da quantidade de pessoas que nos tem visitado”, fruto da promoção turística da rota da Nacional 2.
Com cerca de 4000 habitantes, a vila do Sardoal é porém “um território que não deixa de ter as mesmas características que um território do interior tem”. Do envelhecimento da população ao despovoamento, é no turismo e na promoção dos saberes e sabores locais que a vila tenta resistir aos tempos.
E é com essa fé que o concelho vai atraindo turistas, sobretudo na Páscoa.
“É muito importante porque dá a oportunidade das pessoas pararem sítios que, pela autoestrada, nunca parariam”, conta Joana Ramos, vereadora com o pelouro do Turismo.
É com a Semana Santa, reconhecida como Património Cultural Imaterial desde 2023, que “Sardoal convida a vir refletir, com tempo, pelas capelas enfeitadas com flores”, num turismo religioso que representa um dos pontos altos para o concelho.
É precisamente essa a bandeira que a autarquia quer erguer, com a intenção de criar no concelho “uma unidade hoteleira de média-alta gama para conseguir trazer outras pessoas, adeptas do turismo religioso”. Uma intenção que tem vindo a ser trabalhada desde 2019 e que o concelho assume como desígnio a conseguir concretizar.
Numa vila de artes, é da ligação a Gil Vicente que se alimenta a cultura
É no coração da vila que o Centro Cultural Gil Vicente (nome dado devido à ligação com o dramaturgo Gil Vicente, que se crê ter nascido no concelho) que a cultura representa um dos ex-libris desta pequena vila.
“Sardoal é o concelho onde se respira cultura, para nós é fácil ter uma casa cheia em quase tudo o que fazemos no Centro Cultural, conseguimos atrair gente de fora”, admite ao Conta Lá Susana Paixão, técnica cultural do município.
Um resultado que se deve, crê, a uma “programação muito eclética, desde companhias de teatro a teatro comunitário, grandes nomes da música nacional ou até uma tarde de acordeão com gente da região”.
“Desde 2023, aumentámos o número de eventos em sala, continuamos a ter salas esgotadas”, acrescenta, sendo um dos principais motores de valorização da cultura em territórios de baixa densidade, mas não só.
“É muito frequente abrirmos também o centro cultural para residências, do teatro à música. Sardoal tem uma coisa que poucos têm: é a Casa de Fundação, que permite alojar artistas que queiram vir criar para o Sardoal, e tem sempre procura”, conclui Susana Paixão.