Seguro garante que antigos combatentes não são “tema de arquivo” e pede resposta do Governo às lacunas
O Presidente da República, António José Seguro, prometeu esta quinta-feira ter atenção às causas dos antigos combatentes, que recusa serem “um tema de arquivo”, confiando que o Governo responda às necessidades e supere as lacunas que ainda persistem.
“Como Presidente da República e comandante supremo das Forças Armadas, dirijo-me hoje a todos os combatentes e às vossas famílias com uma mensagem clara: esta Presidência não estará indiferente às vossas causas. Os combatentes de Portugal não são um tema de arquivo. São uma presença viva, ativa e merecedora da atenção permanente do Estado e da sociedade”, defendeu o chefe de Estado no seu discurso na cerimónia do Dia do Combatente, que decorreu junto ao Mosteiro da Batalha, em Leiria.
Seguro quer que, 50 anos depois do 25 de Abril, se olhe para os militares que o “ajudaram a construir” com “uma gratidão que não se esgota em palavras de circunstância”, apontando que muitos destes “esperam há demasiado tempo por respostas”, apesar dos avanços que já aconteceram.
“Nenhum combatente deve sentir que o país pelo qual serviu o abandonou. Confio na capacidade do Governo para corresponder às expectativas e às necessidades dos nossos combatentes”, apelou, numa cerimónia na qual estava presente e discursou o ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo.
Para o Presidente da República, “reconhecer avanços não basta se persistirem lacunas”.
“A gratuitidade dos medicamentos para pensionistas, a majoração dos apoios de saúde, a revisão de benefícios foram evoluções, mas ainda há muito caminho para andar. A dignidade daqueles que serviram a Pátria não se compadece com adiamentos intermináveis”, avisou.
Admitindo os debates sobre as guerras que Portugal travou, na perspetiva de Seguro há um ponto em que "não pode haver ambiguidade": "os homens e mulheres que serviram merecem o nosso respeito incondicional. Eles cumpriram o dever que lhes foi exigido pelo Estado, a custo de sacrifícios que a maioria de nós não é chamada a fazer".
"Muitos voltaram com feridas que nenhum diagnóstico clínico conseguia então nomear. Voltaram e tiveram de reconstruir as suas vidas, muitas vezes sozinhos, muitas vezes em silêncio", recordou.
Para o Presidente da República, "quem viu de perto o sofrimento que a violência das armas provoca nas populações civis, nas famílias, nos próprios camaradas caídos, não é capaz de falar da guerra com ligeireza".
"É esse testemunho, duro e insubstituível, que os nossos veteranos carregam. E é por isso que a sua voz importa, sobretudo nos tempos de escuridão e imprevisíveis que vivemos. Quem conhece a guerra por dentro sabe, melhor do que ninguém, o valor da paz", apontou.
O comandante supremo das Forças Armadas não esqueceu os militares que atualmente servem o país neste discurso.
"Portugal precisa de vós. Valoriza a vossa entrega, acompanha o vosso serviço com orgulho e com responsabilidade. Sois a garantia de que este país continua fiel ao seu compromisso mais profundo: o de um povo que não quer a guerra, mas que nunca recuou perante o dever de defender a liberdade, a independência nacional e a paz", enfatizou.
O Dia do Combatente é celebrado anualmente no dia 9 de abril, para que estes sejam relembrados, homenageados e agraciados pelo esforço prestado no cumprimento do serviço militar.
Contudo, o Estado, através do Ministério da Defesa Nacional, pode evocar a memória e feitos dos antigos combatentes no dia de Portugal, de Camões e das Comunidades (10 de junho) e no dia 11 de novembro, data em que se comemora o fim da Primeira Grande Guerra, em colaboração com a Liga dos Combatentes e as associações de antigos combatentes.
Atualmente é realizada esta cerimónia no Mosteiro da Batalha, em Leiria, que assinala esta data e o aniversário da Batalha de La Lys, travada em 1918 e na qual participaram militares portugueses.