Sindicato denuncia abuso e pressão sobre internos na ULS Matosinhos, administração nega
O Sindicato dos Médicos do Norte (SMN) denunciou, esta terça-feira, pressões e abusos sobre os internos do serviço de pediatria da Unidade Local de Saúde (ULS) de Matosinhos.
"O SMN denuncia a situação grave que se vive no Serviço de Pediatria da ULS Matosinhos, onde médicos internos estão a ser utilizados de forma abusiva para suprir carências estruturais nas escalas da urgência, com prejuízo para a sua formação, para as condições de trabalho e para a segurança assistencial das crianças”, pode ler-se no comunicado hoje divulgado.
Segundo aquele sindicato, os internos daquele serviço “têm sido pressionados a realizar jornadas adicionais” na Urgência Pediátrica Integrada do Porto (UPIP), mesmo quando deviam estar “a cumprir estágios formativos obrigatórios noutras unidades”, e ainda a ser escalados para atendimento pediátrico referenciado naquela ULS, “apesar de este serviço ter de ser assegurado por médicos especialistas”.
“Esta prática transforma médicos em formação, em mão-de-obra para colmatar falhas crónicas de organização. O internato médico não existe para tapar buracos nas urgências”, criticam.
Contactado pela Lusa, o Conselho de Administração daquela unidade hospitalar disse que "as horas suplementares realizadas na escala de urgência" da UPIP e na do atendimento pediátrico referenciado "são praticamente residuais ou inexistentes", e que estas horas suplementares "quando existem são supridas por médicos especialistas e não por médicos internos".
"A postura do Serviço de Pediatria baseia-se no diálogo e nunca na imposição. A Direção do Internato Médico acompanha regularmente todos os médicos internos ao longo do seu internato, reunindo e esclarecendo sobre questões laborais, e desconhece, neste momento, quaisquer pressões assistenciais sobre os médicos internos de Pediatria", pode ler-se na resposta enviada à Lusa.
No mesmo esclarecimento, a direção clínica para os cuidados de sáude hospitalares e a diretora do internato médico vão "a curto prazo" reunir com os internos de pediatria, "de forma a ouvi-los e a corrigir algo que deva ser corrigido, mas que até à data não é do seu conhecimento".
Segundo a nota sindical, esta “sobrecarga assistencial” e falta de descanso e tempo de formação estão a empurrar profissionais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) “para níveis preocupantes de desgaste profissional”.
“Há relatos de um clima de pressão e verdadeira chantagem sobre médicos internos, em que a disponibilidade para aceitar mais jornadas de urgência poderá influenciar avaliações, levando muitos a aceitar por receio de represálias”, denuncia o SMN.
Aquele sindicato pede a “cessação imediata” das situações que denunciam, pedindo respeito “pelos limites legais de trabalho e descanso”, garantias de supervisão e de cumprimento do programa de internato em pediatria, considerando que este tipo de práticas põem em risco “o futuro do SNS e a segurança das crianças”.