Trabalhadores da Lusa fazem greve contra mudanças e alertam para riscos de ingerência do Governo
A paralisação foi convocada e feita pública também pelo Sindicato de Jornalistas, pelo SITE-CSRA e pelo SITESE, depois de um plenário que foi realizado a 26 de fevereiro, no qual os trabalhadores manifestaram forte oposição e preocupações quanto à forma como as mudanças estão a ser conduzidas.
A greve parcial inclui uma manifestação que acontece em frente à sede do Governo, no Campus XXI, em Lisboa, e em frente à redação no Porto, entre as 11 e as 13 horas.
No centro do protesto estão as alterações aos estatutos da Lusa, aprovadas pelo Governo sem, segundo os trabalhadores e nota do Sindicato dos Jornalistas, um diálogo prévio com quem trabalha na agência. Os sindicatos falam mesmo de um processo "pouco transparente" que levanta dúvidas sobre a independência editorial da empresa.
Num vídeo divulgado nas redes sociais pelo Sindicato de Jornalistas, vários profissionais alertam para o problema: "A Lusa escreve sobre o Governo, não escreve para o Governo. A Lusa escreve sobre os partidos, não escreve para os partidos".
Uma das principais críticas prende-se sobre isso mesmo, com a possibilidade de a direção de informação passar a ter de prestar contas no Parlamento. Os trabalhadores consideram que essa mudança pode abrir portas a pressões políticas sobre o trabalho jornalístico.
Também preocupa a criação de um novo órgão dentro da Lusa, composto por seis membros nomeados pelo poder político. Aos olhos dos trabalhadores, esta estrutura pode condicionar o funcionamento de uma agência que tem precisamente a missão de escrutinar o poder.
Há também receios de que o processo de reestruturação possa abrir caminho a rescisões ou cortes de pessoal, num momento em que as delegações já passam por enfraquecimentos, e de uma transferência da sede da Lusa para o edifíco da RTP, algo já admitido pela administração.
Além disto, os sindicatos sublinham que já não são de hoje as preocupações com a falta de progressão nos salários.