Campo de girassóis em Viana do Castelo abre ao público com prova de vinhos e queijos
Em Viana do Castelo, a partir desta sexta-feira, é possível visitar campos de girassóis e ainda provar queijos e vinhos de uma quinta familiar.
A Quinta da Pegadinha é uma pequena exploração de agricultura familiar em Barcelos cuja principal produção são as uvas e o leite. Mas a atividade destes agricultores estende-se também a Viana do Castelo, onde as áreas cultivadas com as flores roubam a atenção do público.
Já era habitual abrir os terrenos de girassóis ao público pelo elevado interesse, mas este ano a novidade para quem passa por aquele local é uma prova de queijos e vinhos, os produtos da família.
Filipe Lemos, um dos proprietários, confessa, em entrevista ao Conta Lá, que a visita às plantações “virou atração” e por isso, este ano escolheram voltar “a não cobrar entrada”, mas acrescentar algo mais aos campos: “Decidimos pôr lá umas tendas e umas coisinhas para podermos dar a conhecer os nossos produtos e ter lá à venda (...) principalmente vinho e queijo”.
O objetivo, explica o engenheiro agrónomo, não é gerar lucro para a pequena empresa, “é simplesmente deixar as pessoas visitar os girassóis que nós produzimos para alimentar as vacas”, uma atividade que requer algum esforço.
“Isto dá muito trabalho (...) era mais prático semear tudo ao mesmo tempo e colher tudo ao mesmo tempo. Mas as pessoas tiram férias em agosto, outras em julho, então a ideia foi tentar fazer com que as pessoas possam ver, porque realmente vai muita gente e nós também gostámos disso, de poder dar esse mimo às pessoas”, adianta o agricultor.
O primeiro campo a visitar fica em plena zona costeira, ao lado da Praia da Arda, em Afife. Mas há mais terrenos pintados de amarelo que podem ser visitados durante o verão: “Semeámos em quatro fases diferentes e se tudo correr bem teremos três ou quatro sítios para conseguir mostrar”.
O primeiro campo permanece florido até aos primeiros dias de julho, o segundo estará repleto de flores entre 15 de julho a 30 do mesmo mês, e o terceiro entre 15 de agosto a 30 de agosto. A família partilha através das redes sociais da Quinta da Pegadinha, as localizações específicas e as mudanças dos campos por onde todos podem passar gratuitamente.
Em declarações ao Conta Lá, Filipe Lemos explica que além da beleza da flor, há fatores que acrescentam valor a todo o ecossistema.
“Os girassóis aportam alguns ómegas específicos ao leite, que depois faz com que o queijo seja melhor, em termos de palato e a nível nutricional”, refere.
O agricultor explica que as parcelas de girassóis não foram pensados para fazer visitas, “foram pensados simplesmente para as vacas e para ajudar um bocadinho ali o meio ambiente, porque acaba por dar alimento a muitas centenas de milhares de abelhas, ajuda muito a fauna e flora da zona”.
Mas os usos da flor amarela não ficam por aqui. Trata-se de uma exploração de forrageiros, que são comestíveis. “O ser humano pode comer a pétala, pode comer a semente, então também gastronomicamente é uma planta interessante”, explica o proprietário.
As 60 vacas em ordenha desta quinta de família são alimentadas com a silagem que é feita com a colheita dos girassóis, sobreposta com a de milho.
O proprietário diz que tudo começou com um só terreno na cidade do litoral norte e por necessidade de exploração de novas culturas: “O programa Greening aconselhava/obrigava a não poder ter 100% da mesma cultura, chamada monocultura do milho, nós éramos obrigados a ter 10 a 20% de outra (...) podia ser por exemplo leguminosas como a luzerna ou aveia, mas na altura o meu pai decidiu fazer girassol”.
Rapidamente apareceram outros espaços livres, de pessoas maravilhadas pela flor, em Viana do Castelo, que pediram à família de agricultores para os transformar num manto de cor. Mas este local não foi escolhido completamente ao acaso.
“É uma zona em que há muito terreno parado por cultivar (...) Acaba por haver mais espaço do que em Barcelos. (...) O girassol é uma planta que não é extremamente exigente em água, daí também se adaptar bem àquela zona onde não é muito quente nem muito frio, consegue ser um bocadinho ameno e ter alguma água no solo”, são razões enumeradas por Filipe Lemos que explicam a escolha do local.
Filipe Lemos confessa que com esta porta aberta aos girassóis “o mais provável vai ser ficarmos sem queijo, porque não temos uma produção muito grande, vamos fazendo devagarinho, são queijos artesanais e não dá para industrializar este processo”.
Já no que toca ao vinho, a grande produção e venda de uva possibilita a escala do produto que já é comercializado dentro e fora do país: “A ideia não é fazer também vinhos baratos, os nossos produtos não são baratos, são produtos com valor acrescentado, com a mínima intervenção, já vendemos para o país todo e alguma coisa para para o estrangeiro, portanto a ideia é mesmo vender a copo e dar a conhecer a quem quiser ir lá, para também perceber que a quinta existe, não é só um campo de girassóis”, refere o engenheiro agrónomo.
Além das visitas aos espaços de girassóis é possível fazer uma prova privada por marcação, através do e-mail ou das redes sociais. Nesse momento, que pode decorrer até mesmo em restaurantes parceiros, os agricultores explicam de forma detalhada a história por trás destas flores, bem como dos produtos da quinta.
A atividade começa este fim de semana com presença dos proprietários e provas de produtos locais, mas qualquer visitante pode entrar livremente nos campos até agosto.