Travessô cumpre tradição de Páscoa com mais uma Queima do Judas
Travassô, no concelho de Águeda, celebra, este Sábado de Aleluia, uma das suas tradições mais marcantes: a Queima do Judas. Este evento, profundamente ligado às celebrações da Páscoa, continua a manter viva uma tradição popular muito enraizada, reunindo habitantes e visitantes num momento repleto de simbolismo e identidade cultural.
“É uma tradição secular que foi passando de geração em geração. Os nossos bisavós faziam a Queima do Judas!”, afirma Sérgio Neves, o presidente da União de Freguesias de Travassô e Óis da Ribeira.
Em Travassô, a tradição mantém-se, mas adapta-se aos novos tempos: “Anos atrás era queimado um boneco. Hoje em dia, a Queima é feita de forma mais simbólica, com um espetáculo de fogo de artifício e fogo preso. Continua a existir um boneco, mas é colocado entre o fogo preso. O momento em que se dá por terminada a celebração é quando o fogo preso rebenta o Judas”, esclarece Sérgio Neves.
A Queima do Judas é, historicamente, um ritual simbólico de expiação dos males e de purificação, através do fogo. Durante o evento, a figura de Judas é “julgada” e depois “queimada”, num ambiente que combina tradição, criatividade e envolvimento da comunidade.
No entanto, as tradições pascais de Travassô não se resumem a um só momento. Durante o período da Quaresma, todos os dias, após o por do sol, os jovens solteiros da freguesia cantam a “Ladainha”, em latim, às “almas do purgatório mais necessitadas”, ou seja, as almas que não foram em paz.
“Durante os 40 dias da Quaresma é também feita, em muito segredo, a preparação de um teatro de sátira que ironiza uma questão local, regional ou nacional”, explica Sérgio Neves. E completa entre risos: “e o presidente da Junta é sempre mencionado”. Este ano, esta iniciativa que alia tradição a convívio, inclui ainda um espetáculo piromusical que vem reforçar o impacto visual da celebração.