Turismo fluvial no Douro pede “investimento urgente” nas infraestruturas fluviais
A Associação das Atividades Marítimo Turísticas do Douro (AAMTD) reclamou esta quinta-feira ao Governo a criação de um plano estratégico nacional para o turismo fluvial no Douro, que registou 1.388.646 passageiros em 2025, foi anunciado esta quinta-feira.
Este plano, segundo avançou em comunicado enviado à agência Lusa, deverá ter como horizonte o ano 2030 e envolver o Governo, a Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL), os municípios ribeirinhos e os operadores privados.
“Um setor que vale 400 milhões de euros por ano e emprega mais de 8.000 pessoas de forma direta não pode continuar a crescer sem um enquadramento estratégico que assegure a sua sustentabilidade, competitividade e capacidade de planeamento a longo prazo”, alertou a AAMTD.
O plano, acrescentou, deve incluir um "investimento urgente" nas infraestruturas fluviais.
Citando dados da APDL, a associação avançou que, em 2025, foram registados 1.388.646 passageiros na Via Navegável do Douro (VND), o que representou “um crescimento contínuo pelo oitavo ano consecutivo e um impacto económico estimado entre 350 e 450 milhões de euros”.
Nesta via navegável operaram, no ano passado, 113 operadores e 252 embarcações e foram contabilizadas 16.974 eclusagens.
Para a AAMTD, “o Douro já não pode crescer sem estratégia” e precisa, por isso, de um plano nacional, alertando ainda para “o risco de estrangulamento das infraestruturas críticas da VND”.
Segundo adiantou, as eclusagens realizadas em 2025 aumentaram 9%, comparativamente com o ano anterior, tendo-se verificado “episódios de avaria documentados nas eclusas de Crestuma-Lever, Bagaúste e Carrapatelo”.
Pelo que a AAMTD considerou que “a capacidade atual das eclusas representa já um limite estrutural ao crescimento do setor” e que “sem intervenção imediata corre-se o risco de comprometer a experiência dos turistas e a competitividade dos operadores nacionais face à concorrência europeia".
O setor, acrescentou, atrai anualmente centenas de milhares de turistas oriundos dos Estados Unidos, do Reino Unido, do Canadá e da Austrália, mercados de "alto valor e longa distância, com elevado impacto nas economias locais de todo o vale do Douro”.
A AAMTD antecipou um "crescimento contínuo do setor até 2030, com o aumento do número de operadores e da frota” e defendeu que “esse crescimento seja orientado por critérios de sustentabilidade ambiental, planeamento territorial e qualidade da experiência turística”.
“O Douro não é apenas um rio. É uma via navegável de classe mundial que gera 400 milhões de euros por ano e emprega diretamente oito mil pessoas. A AAMTD existe para garantir que este ativo seja gerido com a inteligência, a ambição e a seriedade que ele merece. E exigimos do Estado português que esteja à altura desta responsabilidade», afirmou, citado no comunicado, o empresário Mário Ferreira, presidente da direção da associação.
Nesse sentido, a associação disse que se assume, a partir desta quinta-feira, como “voz ativa do setor” junto do Governo, do Turismo de Portugal, da APDL e das comunidades intermunicipais do Douro.
Fundada em 2018, a AAMTD representa 33 operadores do turismo fluvial na VND, entre navios-hotéis, cruzeiros diários, embarcações de animação turística e navegação local e tem como missão defender os interesses do setor, promover a sustentabilidade da atividade e assegurar um diálogo institucional permanente com as autoridades competentes.