Um novo ‘MUZEU’ é inaugurado hoje em Braga: centro cultural quer ser um fórum aberto para a filosofia e para a arte
Um novo museu na cidade de Braga é inaugurado esta quinta-feira: o MUZEU - Pensamento e Arte Contemporânea DST está instalado no antigo Tribunal Judicial de Braga, no centro histórico da cidade, e é composto por cinco andares, quatro de exposição e um auditório.
Fundado pelo grupo DST, com atividade nas áreas da engenharia e da construção e sede em Braga, o edifício do MUZEU integra a mais antiga secção da muralha da cidade, do século XIV, e um poço do mesmo período. De frente para a Praça do Município, a fachada apresenta uma escultura permanente do artista português José Pedro Croft, estabelecendo uma ligação entre o edifício, a coleção de arte contemporânea do presidente do grupo e a cidade.
O MUZEU tem como exposição inaugural “Sejamos realistas, exijamos o impossível”. Mais de 100 obras de 96 artistas nacionais e internacionais estão espalhadas pelos cerca de 3.000 metros quadrados do novo espaço.
Na primeira exposição é destacada a obra do artista brasileiro Miguel Rio Branco e do artista português Rui Chafes, “cujas práticas intensificam a tensão entre a transgressão e a contenção poética”, afirma a organização em comunicado.
Curada por Helena Mendes Pereira, Diretora, Curadora e Programadora Artística do espaço cultural, a exposição decorre até ao dia 23 de outubro e “articula uma visão ancorada na capacidade de transformação social, política e poética da arte contemporânea”.
Em comunicado, a empresa fundadora afirma que o MUZEU tem o objetivo de “estudar e valorizar a coleção de arte contemporânea da instituição, procurando promover o gosto pela arte e cultura de forma mais abrangente e, dessa forma, influenciar positivamente os decisores para a promoção de uma vida mais justa e feliz para todos”.
Este centro cultural quer funcionar como um fórum aberto para a filosofia e para a arte, “através de exposições, palestras, performances e música, reforçando o papel do museu como espaço de intervenção e promoção cívica e política”.
A primeira exposição é a parte principal do programa cultural “Abrir Abril”, que decorre até ao fim do mês de outubro. O programa assinala o aniversário da Revolução dos Cravos e reflete sobre a revolução como um momento de rutura e transformação coletiva.
Segundo a organização, “mais de cinquenta anos depois, num momento de tensões sociais, políticas e ambientais, Abrir Abril revisita os valores comunitários associados à revolução: democracia, liberdade, participação cívica e defesa intransigente dos direitos consagrados na Constituição da República Portuguesa e na Declaração Universal dos Direitos Humanos.”
Há ainda um espaço permanente para a arte de Anselm Kiefer, com pinturas, esculturas, montagens e fotografias. A obra de Kiefer “confronta a história e a responsabilidade ética, abordando o passado da Alemanha e a persistência das suas consequências no presente”. Com chumbo, cinzas, palha, terra e cimento, o artista “transforma a arte num espaço de confronto, resistindo à banalização do mal e ao apagamento da memória”.
Na sexta-feira, dia 24, o acesso ao museu é exclusivo para os funcionários do grupo DST, com uma intervenção de rua em grande escala intitulada “A Poesia está na Rua”.
Em paralelo às exposições, o novo museu de Braga apresenta uma programação contínua de conferências, performances, concertos de jazz, sessões de escuta, oficinas de filosofia para crianças e visitas guiadas.
O grupo DST nasceu nos anos 1940 e, atualmente, emprega mais de três mil pessoas.