Universidade do Porto debate papel do oceano no futuro económico do Norte

O oceano poderá desempenhar um papel decisivo no futuro económico do Norte de Portugal, tema que estará em debate na Universidade do Porto a 16 de junho, numa conferência dedicada às oportunidades da chamada Economia Azul e ao potencial dos recursos marinhos para gerar riqueza, inovação e emprego.
Mariana Moniz
Mariana Moniz Jornalista
14 jun. 2026, 14:32

Num contexto marcado pela procura de novos motores de crescimento económico, pela transição energética e pelos desafios da competitividade internacional, o oceano poderá assumir-se como um dos principais ativos estratégicos para o futuro do Norte de Portugal.

A ideia estará em destaque na próxima sessão do Centro de Conferências da Universidade do Porto, agendada para 16 de junho, onde especialistas vão debater de que forma a chamada Economia Azul pode contribuir para reforçar a inovação, a sustentabilidade e o desenvolvimento económico da região.

Segundo Miguel Marques, especialista internacional em Economia Azul e assuntos marítimos, o mar reúne um conjunto de oportunidades com potencial para gerar riqueza, criar emprego qualificado e promover novas atividades económicas associadas aos recursos oceânicos.

Uma economia com peso crescente

A relevância do tema vai muito além do debate académico. Portugal é atualmente um dos países europeus com maior ligação económica ao mar, destacando-se entre os Estados-membros da União Europeia pelo contributo da Economia Azul para a criação de riqueza e emprego.

O setor engloba atividades tão diversas como os portos, o transporte marítimo, o turismo costeiro, a pesca, a aquicultura, a construção naval, a biotecnologia marinha e as energias renováveis offshore.

Dados recentes apontam para mais de 150 mil trabalhadores ligados à Economia do Mar em Portugal e para um Valor Acrescentado Bruto superior a 10 mil milhões de euros. O setor representa ainda cerca de 5% do Produto Interno Bruto nacional e das exportações portuguesas, sendo frequentemente apontado como uma das áreas com maior potencial de crescimento nas próximas décadas.

Do mar à inovação

A conferência terá como tema “Norte de Portugal – As Oportunidades do Ativo Estratégico Oceano” e pretende refletir sobre o potencial dos recursos marinhos como fator de crescimento para a região.

Entre as áreas associadas à Economia Azul encontram-se a biotecnologia marinha, a energia eólica offshore, a inovação tecnológica ligada aos recursos oceânicos, a economia circular, a logística portuária e a investigação científica relacionada com o mar.

De acordo com os promotores da iniciativa, o objetivo passa por identificar oportunidades capazes de reforçar a autonomia estratégica da região e criar riqueza de forma sustentável, conciliando crescimento económico com a preservação dos ecossistemas marinhos.

Especialista com experiência internacional

O convidado da sessão será Miguel Marques, economista formado pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto e uma das principais referências nacionais na área da Economia Azul.

Ao longo da carreira, participou em diversos estudos económicos ligados ao mar e liderou, durante mais de duas décadas na PwC, um centro de excelência global dedicado à Economia Azul. Atualmente preside à Inovamar e integra vários organismos ligados à estratégia marítima nacional.

Debate aberto ao público

A sessão realiza-se no dia 16 de junho, às 17h00, no Salão Nobre da Reitoria da Universidade do Porto, com entrada livre e transmissão em direto através do canal de YouTube da instituição.

Criado em 2025, o Centro de Conferências da Universidade do Porto tem promovido debates sobre alguns dos principais desafios do país e da região, reunindo académicos, especialistas, decisores públicos e representantes da sociedade civil para discutir temas que vão da habitação à inteligência artificial, da saúde à geopolítica.

Mais do que uma reflexão sobre o mar, a iniciativa pretende discutir de que forma os recursos oceânicos poderão ajudar a definir o futuro económico do Norte de Portugal numa altura em que a inovação, a sustentabilidade e a competitividade assumem um papel cada vez mais decisivo.