Vai ser possível tirar duas licenciaturas ao mesmo tempo na Universidade do Minho. Explicamos como funciona o novo modelo

O estabelecimento de ensino superior é o primeiro público a adotar este modelo na oferta formativa em Portugal. A partir do próximo ano letivo as licenciaturas duplas estão disponíveis no concurso nacional de acesso e as combinações de cursos são já cinco.
 
Joana Amarante
Joana Amarante Jornalista
23 mar. 2026, 08:00

Economia+Gestão, Gestão+Negócios Internacionais e Economia+Negócios Internacionais, Física+Química e Matemática+Física são as opções de licenciatura dupla que estarão disponíveis no campus de Gualtar, em Braga, já no próximo ano. As três primeiras serão na Escola de Economia, Gestão e Ciência Política, as últimas duas na Escola de Ciências.

É uma novidade no ensino superior público, mas é algo que a Universidade do Minho (UM) tem vindo a pensar há algum tempo. Para Cristina Dias, vice-reitora para a educação da UM, “reuniram-se agora um conjunto de circunstâncias, quer do ponto de vista da Direção-Geral de Ensino Superior (DGES), da Agência de Acreditação, do próprio Ministério, que nos permitiram efetivamente avançar com esta possibilidade”.

Os alunos podem fazer duas licenciaturas, que separadamente podiam ir até aos seis anos de estudo, num período mais curto. Economia+Gestão, Gestão+Negócios Internacionais e Economia+Negócios Internacionais, têm uma duração de quatro anos e 20 vagas para 2026/27. Já as licenciaturas de Física+Química e Matemática+Física, prolongam-se por cinco anos e têm dez vagas cada.

Em relação às provas de acesso, mantém-se as obrigatórias para cada licenciatura, visto serem iguais, como explica a vice-reitora. “Não há aqui nenhum obstáculo ao estudante pelo facto de ser licenciatura dupla porque se ele quisesse qualquer uma dessas licenciaturas, também teria de fazer essas mesmas provas”.

Os valores da propina são também os mesmos definidos anualmente, acresce apenas mais um ou dois anos de pagamento, consoante a duração da licenciatura dupla. "O estudante (que) vai fazer a licenciatura em cinco anos, no caso da Escola de Ciências, vai ter que pagar uma propina maior porque fica mais tempo na Universidade, em vez de pagar em três anos, paga cinco anos”, explica também Cristina Dias. 

Os horários e distribuição de momentos de avaliação ficam a cargo da universidade, que terá sempre em conta o facto de ser uma dupla licenciatura. Uma vez concluído, há dois diplomas, um para cada licenciatura. 

Mas de que forma podem os estudantes beneficiar desta medida? Para a vice-reitora, permite, em primeiro lugar, evitar as dúvidas que por vezes existem.

“Aquele estudante que não sabe muito bem se gosta mais desta área ou de outra terá a possibilidade de fazer as duas licenciaturas, não tendo de escolher imediatamente quando entra para o ensino superior. O percurso que depois vai fazendo, até é natural que depois enverede por uma ou por outra área.”

A este fator, soma-se outra vantagem: a de “abrir outras portas no mercado de trabalho quando sair da universidade”, acrescenta Cristina Dias.

Este modelo de oferta formativa surge porque para a direção da universidade “as áreas que os nossos estudantes procuram são diferentes daquelas que eram há uns anos" e "as expectativas dos estudantes" também "são completamente diferentes". "Tudo isto tem de ser ponderado na oferta das Universidades e é isso que queremos fazer, com ponderação, mas avançar, inovando na nossa oferta”, acrescenta Cristina Dias

Há já alunos a mostrarem interesse neste modelo. Na UPA, Universidade de Portas Abertas, uma mostra de cursos da UM, “tivemos muitos estudantes do ensino secundário a perguntar-nos como é que funcionam as licenciaturas duplas”, avança a vice-reitora. “Quer a Escola de Economia, Gestão e Ciência Política, quer a Escola de Ciências, reportaram que efetivamente tiveram vários estudantes a procurá-los, o que é bom e que nos dá uma expectativa de que esta oferta terá sucesso”. 

Estas são para já as cinco combinações de cursos, por terem unidades curriculares “muito próximas umas das outras, o que permitiu haver aqui um encaixe”, explica a responsável. Ainda assim, a universidade está a trabalhar para levar esta novidade a outras áreas.