Autarca de Castelo Branco diz que Beira Baixa "tem sido um território desprezado" e considera IC31 “um projeto nacional”

O presidente da câmara não hesita em dizer que “têm sido feitos investimentos bem mais avultados para resolver problemas semelhantes” noutras zonas do país. Uma posição assinalada na rubrica "Objetiva", da jornalista Estela Machado, no programa "Juca".
Sofia Santana
Sofia Santana Editora Digital
14 abr. 2026, 12:08

O presidente da Câmara de Castelo Branco, Leopoldo Martins Rodrigues, considera que a concretização do IC31 para ligar a A23 às Termas de Monfortinho, na fronteira com Espanha, é “um projeto nacional” e uma “via estruturante para o desenvolvimento do país” e lamenta que a Beira Baixa seja um "território desprezado no âmbito da União Europeia".

O autarca foi convidado da jornalista Estela Machado, na rubrica “Objetiva”, do programa Juca, no dia em que se realizou a quarta reunião da Aliança Territorial Europeia (ATE) Norte de Extremadura & Beira Baixa. O principal objetivo desta aliança é unir esforços para garantir, ainda este ano, o início das obras para a conclusão dos 72 quilómetros de autoestrada pendentes entre Castelo Branco e Moraleja, através da construção do IC31, assegurando a ligação por autoestrada Lisboa-Madrid pela Beira Baixa e pelo Norte da Extremadura espanhola.

Leopoldo Martins Rodrigues destaca que a concretização do IC31, há muito revindicada na região, abre a porta a uma série de oportunidades para o turismo nacional: “Os espanhóis falam na possibilidade de trazermos milhares de turistas às praias do litoral português porque, durante muito tempo, as praias do litoral português foram as praias preferenciais dos habitantes da área de Madrid e também para o turismo religioso de Fátima e outras localidades.”

Para a região da Beira Baixa em concreto, o IC31 é considerado essencial não só para o setor turístico, como também para o emprego e para a fixação de pessoas: “Uma estrada que permita esta ligação, permitirá ter mais oportunidades de negócios, de emprego e de combater a perda demográfica nestas regiões”. “É com infraestruturas como estas que fomentamos a coesão do território”, sublinha.

Questionado sobre o financiamento necessário para a empreitada, o presidente albicastrense não hesita em dizer que “têm sido feitos investimentos bem mais avultados para resolver problemas semelhantes” noutras zonas do país e que a Beira Baixa "tem sido um território desprezado e desprezado até no âmbito da União Europeia”. “Estamos provavelmente a falar da região de fronteira mais pobre da União Europeia”, acrescenta.

“Estimamos [o valor da obra] em centenas de milhares de euros. Noutras regiões do país têm sido feitos investimentos bem mais avultados para resolver problemas semelhantes e, às vezes, em sobreposição. (…) Acreditamos que o Governo terá forma de encontrar um mecanismo para financiar este investimento. Nós também pagamos impostos”, afirma.

O autarca critica a inércia em relação ao projeto, sobretudo do lado português: “Os espanhóis tem estado pacientemente à espera que Portugal se decida nesta ligação e, do lado de cá, as coisas não têm tido o desenvolvimento que gostaríamos. Os espanhóis trouxeram a autoestrada até Moraleja, têm o estudo de impacte ambiental concluído e até já decidiram  o modelo de construção. Do lado de português, as coisas têm demorado muito tempo a andar”.

Nesta reunião da Aliança Territorial Europeia (ATE) Norte de Extremadura & Beira Baixa, que se realizou esta segunda-feira, foi marcado um protesto pacífico para o dia 20 de maio na ponte internacional de Monfortinho em Idanha-a-Nova. Além disso, ficou decidido avançar com pedidos formais de reunião com os grupos parlamentares portugueses e, do lado espanhol, com os quatro grupos parlamentares da Extremadura.