CGTP fala numa "grande greve geral" e critica Governo “completamente alheado da realidade"

A confederação sindical que convocou a greve geral desta quarta-feira afirma uma elevada adesão em todos os setores, contrariando o balanço feito pelo Governo. 
Joana Amarante
Joana Amarante Jornalista
03 jun. 2026, 15:23

A CGTP, confederação sindical que convocou a greve geral desta quarta-feira, afirma que há uma elevada adesão à paralisação em todos os setores, contrariando o balanço feito pelo Governo. 

Num balanço feito ao início da tarde, Tiago Oliveira, secretário-geral da CGTP fala em “grandes adesões em todos os setores", incluindo o privado. 

Tiago Oliveira enumerou mesmo as empresas privadas com adesões que vão entre os 80% e os 100%. 

O líder da CGTP dá conta de exemplos de impactos na saúde, no setor privado, afirmando que os Lusíadas Amadora e Lisboa, a CUF em Sintra e o Hospital Luz de Lisboa estão com "impactos significativos". 

Acrescenta que na indústria, as empresas DS Smith Leiria, Sovena, Bimbo e Cerealto têm números de adesão à greve na ordem dos 95% ou 100%, na construção, cerâmica, cimentos e vidro, como a Ciarga, e a Cimpor, todos os trabalhadores aderiram à greve e na Galvidro, mais de 80% não foram trabalhar.

Fala ainda em empresas que esta quarta-feira têm a produção "parada", como é o caso da GNL Solution Leiria, a Faurecia em Palmela, a Aapico e Fico Cables na Maia, a Knorr em Lisboa e a Mecachrome em Évora.

Os dados surgem em resposta às declarações do Governo, que a CGTP considera “completamente alheado da realidade de quem trabalha".

O dirigente sindical vai mais longe e acusa mesmo o Executivo de “meter a cabeça na areia” e de não ver “as evidências que estão perante os seus olhos". Deixa ainda duras críticas ao primeiro-ministro acusando-o de “arrogância, prepotência e falta de humildade".

Tiago Oliveira acrescenta que "o facto de a senhora ministra basear as suas declarações nas informações que pediu às confederações patronais, às grandes empresas e à banca é revelador do posicionamento deste Governo", referindo-se ao balanço feito por Maria da Maria do Rosário Palma Ramalho. 

A Ministra do Trabalho afirmou esta quarta-feira em conferência de imprensa que a greve tinha pouca adesão no setor privado e que “a esmagadora maioria dos portugueses está a trabalhar”, com base em dados recolhidos pela CIP.

Para o responsável este é o “dia dos trabalhadores se pronunciarem" contra o pacote laboral que, se sabe agora, vai ser discutido no Parlamento a 18 de junho. 

A última greve convocada pela confederação no mesmo sentido foi há menos de meio ano, a 11 de dezembro de 2025, a segunda no mandato de Luís Montenegro. Desta vez, a UGT fica de fora do protesto.