Sismo não é caso de preocupação, mas pode ter “riscos" para construções fragilizadas pelo mau tempo

O sismo e consequentes réplicas registadas esta quinta-feira não são caso de preocupação, garante o geofísico e antigo presidente do IPMA, Miguel Miranda, ao Conta Lá. No entanto, não há risco zero no que respeita às construções nas zonas mais fragilizadas pelo mau tempo.
Ana Rita Cristovão
Ana Rita Cristovão Jornalista
19 fev. 2026, 15:57

“Não me parece que seja muito preocupante”, começa por esclarecer ao Conta Lá o geofísico Miguel Miranda, referindo que sismos com a magnitude do que foi registado esta quinta-feira, de 4.1 na escala de Ritcher, são “acontecimentos razoavelmente frequentes nos Açores”.

Com epicentro a cerca de quatro quilómetros de Alenquer, pelas 12h14 desta quinta-feira, Miguel Miranda admite que é “normal haver pequenas réplicas ao longo do dia, mas não se espera magnitude significativa”.

“O sismo foi a 15 km de profundidade, numa região profunda da placa litosférica, portanto não me parece que seja um assunto muito preocupante. Não é expectável que seja desencadeado outro fenómeno mais perigoso”, acrescentou o antigo presidente do Instituto Português do Mar e da Atmosfera esta tarde ao Conta Lá.

Apesar de não ter registo de danos significativos resultantes deste sismo, que foi sentido na região de Lisboa e também com relatos vindos de outras partes do país, como Leiria, Santarém e Coimbra, o geofísico alerta no entanto para o efeito que as réplicas podem ter sobre as construções.

“Sobretudo nas zonas mais afetadas pelas tempestades das últimas semanas, o que pode haver é réplicas mais superficiais que podem dar origem a algum efeito destrutivo sobre as construções”, alerta.

“Não tanto para os solos mas para as construções nas zonas mais afetadas pelas tempestades das últimas semanas, na zona de Leiria, por exemplo, com este abanão pode haver efeitos destrutivos”, acrescenta Miguel Miranda.

Questionado ainda sobre o facto de há sensivelmente um ano, a 17 de fevereiro de 2025, ter acontecido também um sismo – dessa vez de magnitude maior, de 4.8 na escala de Richter – o geofísico admite tratar-se meramente de uma “coincidência” e relativiza: “Não se pode dizer que seja uma situação anormal, é a heterogeneidade da litosfera a acontecer, até porque os sismos não fazem anos”.