Subidas históricas dos preços dos fertilizantes e combustíveis: produtores de cereais pedem medidas urgentes

O bloqueio do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas do comércio mundial, tem provocado subidas acentuadas dos preços dos combustíveis e colocado uma grande pressão no mercado dos fertilizantes. Tudo isto acontece numa altura determinante para os agricultores, que ainda fazem contas aos prejuízos causados pelas tempestades. 
Sofia Santana
Sofia Santana Editora Digital
23 mar. 2026, 15:28

Os produtores de cereais alertam para a "situação extremamente preocupante" do setor, considerando "que existe um risco real de quebra significativa de produção, com impactos diretos na segurança alimentar e no aumento da dependência externa do país". O aviso é deixado num comunicado conjunto das organizações representantes do setor, a Associação Nacional de Produtores de Cereais (ANPOC), a Associação Nacional de Produtores de Milho e Sorgo (ANPROMIS) e a Associação de Orizicultores de Portugal (AOP).

As associações explicam que, depois de as condições meteorológicas adversas terem gerado grandes prejuízos, o conflito no Médio Oriente trouxe um "aumento acentuado dos custos de produção", nomeadamente ao nível dos preços dos combustíveis e dos fertilizantes. 

"Os preços dos fertilizantes têm registado subidas históricas, assim como os combustíveis, essenciais para o funcionamento das explorações, colocando uma pressão adicional insustentável sobre os agricultores, cujas margens já estão muito esmagadas pelos baixíssimos preços do mercado mundial de cereais", lê-se na nota. 

Em comunicado, as associações lembram que estes aumentos nos custos de produção acontecem depois da devastação causada pas tempestades que assolaram o país. As intempéries povocaram não só a destruição de culturas e infraestruturas, como a saturação dos solos, o que comprometeu o calendário das campanhas agrícolas e a capacidade produtiva. Os prejuízos são estimados em mais de 1.000 milhões de euros.

Perante este contexto, as dificuldades agravam-se e os produtores elencam um conjunto de medidas que consideram urgentes. Pedem, desde logo, apoios diretos para a "mitigação do aumento dos custos dos fatores de produção, nomeadamente nos combustíveis e fertilizantes",  "celeridade na implementação de mecanismos de compensação pelas perdas de produção" e "apoio ao restabelecimento do potencial produtivo, nomeadamente infraestruturas, construções e equipamentos seriamente danificados". 

Por outro lado, as associações querem também a "flexibilização de prazos e requisitos de elegibilidade no âmbito das políticas agrícolas em vigor",  o "reforço imediato da dotação financeira do Plano Estratégico da Politica Agrícola Comum em Portugal (PEPAC)",  o "reforço dos instrumentos de gestão de risco adaptados à realidade climática atual".

Numa altura determinante para os agricultores, o início das plantações da primavera e do verão, o bloqueio do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas do comércio mundial, tem provocado subidas acentuadas dos preços dos combustíveis e colocado uma grande pressão no mercado dos fertilizantes - por esta via passa cerca de um terço do comércio mundial destes produtos.

Os fertilizantes, sobretudo os que são feitos à base de azoto, são fundamentais para a produtividade agrícola e cerca de metade dos alimentos produzidos no mundo depende da sua utilização. 

Com a pressão sobre o setor agroalimentar, a Confederação Nacional das Cooperativas Agrícolas e do Crédito Agrícola de Portugal (Confagri) aponta críticas à "passividade do Governo" e alerta para o descontentamento, motivado pelo atraso na reposição do potencial produtivo dos agricultores afetados pelo mau tempo e pela falta de medidas, por exemplo, no que se refere ao gasóleo agrícola.