Subidas históricas dos preços dos fertilizantes e combustíveis: produtores de cereais pedem medidas urgentes
Os produtores de cereais alertam para a "situação extremamente preocupante" do setor, considerando "que existe um risco real de quebra significativa de produção, com impactos diretos na segurança alimentar e no aumento da dependência externa do país". O aviso é deixado num comunicado conjunto das organizações representantes do setor, a Associação Nacional de Produtores de Cereais (ANPOC), a Associação Nacional de Produtores de Milho e Sorgo (ANPROMIS) e a Associação de Orizicultores de Portugal (AOP).
As associações explicam que, depois de as condições meteorológicas adversas terem gerado grandes prejuízos, o conflito no Médio Oriente trouxe um "aumento acentuado dos custos de produção", nomeadamente ao nível dos preços dos combustíveis e dos fertilizantes.
"Os preços dos fertilizantes têm registado subidas históricas, assim como os combustíveis, essenciais para o funcionamento das explorações, colocando uma pressão adicional insustentável sobre os agricultores, cujas margens já estão muito esmagadas pelos baixíssimos preços do mercado mundial de cereais", lê-se na nota.
Em comunicado, as associações lembram que estes aumentos nos custos de produção acontecem depois da devastação causada pas tempestades que assolaram o país. As intempéries povocaram não só a destruição de culturas e infraestruturas, como a saturação dos solos, o que comprometeu o calendário das campanhas agrícolas e a capacidade produtiva. Os prejuízos são estimados em mais de 1.000 milhões de euros.
Perante este contexto, as dificuldades agravam-se e os produtores elencam um conjunto de medidas que consideram urgentes. Pedem, desde logo, apoios diretos para a "mitigação do aumento dos custos dos fatores de produção, nomeadamente nos combustíveis e fertilizantes", "celeridade na implementação de mecanismos de compensação pelas perdas de produção" e "apoio ao restabelecimento do potencial produtivo, nomeadamente infraestruturas, construções e equipamentos seriamente danificados".
Por outro lado, as associações querem também a "flexibilização de prazos e requisitos de elegibilidade no âmbito das políticas agrícolas em vigor", o "reforço imediato da dotação financeira do Plano Estratégico da Politica Agrícola Comum em Portugal (PEPAC)", o "reforço dos instrumentos de gestão de risco adaptados à realidade climática atual".
Numa altura determinante para os agricultores, o início das plantações da primavera e do verão, o bloqueio do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas do comércio mundial, tem provocado subidas acentuadas dos preços dos combustíveis e colocado uma grande pressão no mercado dos fertilizantes - por esta via passa cerca de um terço do comércio mundial destes produtos.
Os fertilizantes, sobretudo os que são feitos à base de azoto, são fundamentais para a produtividade agrícola e cerca de metade dos alimentos produzidos no mundo depende da sua utilização.
Com a pressão sobre o setor agroalimentar, a Confederação Nacional das Cooperativas Agrícolas e do Crédito Agrícola de Portugal (Confagri) aponta críticas à "passividade do Governo" e alerta para o descontentamento, motivado pelo atraso na reposição do potencial produtivo dos agricultores afetados pelo mau tempo e pela falta de medidas, por exemplo, no que se refere ao gasóleo agrícola.