Serra da Estrela é Reserva da Biosfera da Unesco: as “oportunidades" e "o grande desafio" para o território

O vice-presidente da Comunidade Intermunicipal (CIM) das Beiras e Serra da Estrela, Fábio Massano, foi convidado de Estela Machado na rubrica Objetiva, do programa Juca, esta terça-feira. O também presidente da Câmara Municipal de Manteigas perspetivou o que esta distinção pode significar para a região.
Sofia Santana
Sofia Santana Editora Digital
10 jun. 2026, 11:40

O vice-presidente da Comunidade Intermunicipal (CIM) das Beiras e Serra da Estrela, Fábio Massano, considera que o reconhecimento da Serra da Estrela como Reserva da Biosfera da UNESCO traz "oportunidades muito interessantes", mas também uma “responsabilização” acrescida na proteção deste território. Convidado de Estela Machado na rubrica Objetiva, do programa Juca, esta terça-feira, o também presidente da Câmara Municipal de Manteigas perspetivou o que esta distinção pode significar para a região.

“Sabemos o que isto representa. Sabemos que há uma responsabilização, há vários critérios que nos vão responsabilizar e que vão ajudar a Serra da Estrela a proteger-se cada vez mais”, sublinhou.

A candidatura da Serra da Estrela a Reserva da Biosfera foi aprovada, na semana passada, pelo Conselho Internacional de Coordenação do Programa Homem e Biosfera da UNESCO no Paraguai. Fábio Massano, que esteve presente nessa sessão, notou que “não há assim tantas reservas da biosfera no mundo” e que este reconhecimento acontece numa fase em que os efeitos das alterações climáticas e da ocupação humana são cada vez maiores. Por outro lado, surge depois de, nos últimos anos, o parque natural ter enfrentado grandes dificuldades, sobretudo com a devastação causada por grandes incêndios.

“Em 2022, tivemos uma grande parte do parque com um incêndio florestal gigantesco. Tínhamos duas opções: baixar os braços e desistir ou arregaçar as mangas e acreditar que é possível transformar o território”, recordou.

O autarca destacou que a integração nesta rede traz “oportunidades de investimentos e investigação científica muito interessantes”, mas também um grande desafio: o equilíbrio entre a atividade turística, que desempenha um papel importante no motor económico, e o estado de conservação do território. 

“Este é o grande desafio dos parques naturais, das reservas. Porque os turistas querem conhecer cada vez mais as zonas virgens, puras, num estado de conservação acima da média e a Serra da Estrela em algumas zonas tem esses valores. Há sempre o risco de podermos atrair pessoas demais, de precipitarmos uma ocupação de solos de forma distinta da que temos agora, mas não é isso que queremos”, vincou.

A nova Reserva da Biosfera abrange uma área superior a 2.300km², distribuída pelos seis municípios do Parque Natural da Serra da Estrela: Seia, Gouveia, Celorico da Beira, Guarda, Manteigas e Covilhã.

Esta área é estruturada em três zonas complementares: uma Zona Núcleo onde se concentram os valores naturais mais relevantes (212,55 km²), uma Zona Tampão de mediação ecológica (679,65 km²) e uma Zona de Transição dedicada às atividades humanas sustentáveis (1.480,80 km², correspondendo a 62% da reserva).

O território alberga 30 habitats listados na Diretiva Habitats da União Europeia e constitui um repositório vivo de diversidade biológica e cultural.

A Serra da Estrela é reconhecida como um autêntico “laboratório vivo”, com ecossistemas únicos, espécies endémicas e mosaicos agro-ecológicos de montanha, onde se vão testar e criar soluções para conciliar a conservação da natureza com o desenvolvimento humano.

Com esta aprovação, Portugal passa a contar com 14 Reservas da Biosfera da UNESCO. Já a Serra da Estrela passa a deter duas designações UNESCO para o mesmo território: o Geopark Global UNESCO, reconhecido em julho de 2020, e agora a Reserva da Biosfera. Estes dois estatutos vão permitir otimizar recursos humanos, financeiros e materiais.